sexta-feira, 21 de abril de 2017

Livro de Aurora Simões de Matos integrado nas Comemorações do 25 de Abril

O Livro " O amor é sempre inocente"

integrado nas Comemorações do 25 de Abril, em duas cidades diferentes
Lamego e S. Pedro do Sul














Aurora Simões de Matos



sábado, 15 de abril de 2017

Aurora Simões de Matos e Isabel Silvestre

PRÉMIO DE REDE MÍDIA INTERNACIONAL





Com a lenda viva da Música Tradicional Portuguesa, minha amiga de há muitos anos, Isabel Silvestre, no dia 28/ 03/ 2017, minutos antes da cerimónia pública de âmbito internacional organizada este ano em Portugal pelo " JORNAL SEM FRONTEIRAS" com sede no Brasil, e que, entre outros nomes da cultura, nos premiou e nos encheu de orgulho. Porque cada uma de nós, ( uma através da escrita e outra através da música), levou a sua região natal além fronteiras.

Aurora Simões de Matos








quarta-feira, 12 de abril de 2017

A Paixão de Cristo e a surdez da Europa





~~ A PAIXÃO DE CRISTO e a SURDEZ DA EUROPA ~~








A PAIXÃO DE CRISTO e a SURDEZ DA EUROPA

Seja a Paixão do Senhor vista e entendida sob o ponto de vista religioso, ou sob o ponto de vista histórico, ninguém fica indiferente ao sofrimento daquele Homem, perante o olhar desesperado de Sua Mãe!

Ainda recordo com emoção a Procissão do ENCONTRO que, sendo eu criança, se fazia na minha terra. Por um caminho, vinha o andor, com Cristo carregando a Cruz. Por outro caminho, vinha o andor de Maria, sua Mãe. E o senhor cónego Isidro Faria, meu professor de Português, no momento do encontro de ambos, clamava a plenos pulmões:

- « Ó Mãe, olha o teu Filho inocente! Ó Mãe, olha o que os homens Lhe fizeram!»

Hoje, perante a fuga desesperada de tantas crianças sem pão, sem lar e sem amor que para trás deixam a família, os amigos e o seu chão natal em guerra, e não encontram senão altos muros e fronteiras fechadas, apetece gritar também:

- Ó Mãe, olha os Teus filhos inocentes! Ó Mãe, olha o que os homens lhes fizeram! Abre o coração desta Europa egoísta que, com ares de desentendida, assobia para o lado, como se nada se passasse!

Aurora Simões de Matos




Fotos da net

quarta-feira, 5 de abril de 2017

PÁSCOA DOS EMIGRANTES



Vidas em Regresso





A PÁSCOA DOS EMIGRANTES

Deixaram um dia
a musicalidade das fontes
e o trilho de caminhos desabridos
com a saudade
que a brisa dos seus sonhos tentou em vão esconder

Encheram cidades cinzentas de estranhas falas rezadas
e ajudaram a poluir horizontes apertados
onde não cabia sequer a sua crença

Aprenderam linguagens sem estilo
e ofereceram suor e lágrimas
a caminhos que não eram os seus


Espelharam miragens encantatórias
em cada regresso
às origens agrestes de seus pais e avós

Elegeram a PÁSCOA
como a primeira das três vezes
em que no ano haveriam de vencer todas as distâncias
adentrando a estação maravilhosa


Reabrem as varandas das encostas
saboreiam aromas púberes
adoçados na masseira das lembranças
emolduram de perfume a rosmaninho e alecrim
portas que se oferecem à Visita do Senhor
e a rituais de romântica ancestralidade

Trazem dias de festa
e emprestam pinceladas coloridas 
ao xisto negro que os viu nascer...
ao granito duro que os viu partir...


                                             Aurora Simões de Matos



segunda-feira, 20 de março de 2017

Rio de Prata - Poema de Aurora Simões de Matos, musicado e cantado por Gervásio Pina




Porque nasci à beira-Paiva e dele herdei este jeito de ser...

                                                                             Aurora Simões de Matos






sexta-feira, 17 de março de 2017

Tertúlia Literária no Clube de Lamego - Organização e Coordenação de Aurora Simões de Matos



( Texto de Humberto Costa)


Nota da Tertúlia:

Faltou mencionar a "Confraria do Bolo Podre e Gastronomia do Montemuro", que também esteve presente e cujo Grão- Mestre, o escritor Adérito Ferreira, fez uma belíssima intervenção. E que, no fim, nos brindou a todos com o saboroso bolo podre de Castro Daire e ainda ofereceu uma caixa para cada um dos intervenientes na tertúlia levar para casa. 
Como faltou mencionar a participação da " Confraria da Castanha dos Soutos da Lapa" - Sernancelhe, que enviou uma lindíssima mensagem, carregada de significado gastronómico, como é timbre do seu responsável máximo, Dr. Alberto Correia.

Aurora Simões de Matos

quarta-feira, 15 de março de 2017

" A FLOR", de Almada Negreiros - Desconstrução e Construção do texto na "Tertúlia Artes e Letras de Lamego"



( Organização e Coordenação de Aurora Simões de Matos )


A partir do texto " A Flor", de Almada Negreiros


Ana Borges lê o texto "A Flor", de Almada Negreiros

Pede-se a uma criança: Desenha uma flor! Dá-se-lhe papel e lápis. A criança vai sentar-se no outro canto da sala onde não há mais ninguém. Passado algum tempo o papel está cheio de linhas. Umas numa direcção, outras noutras; umas mais carregadas, outras mais leves; umas mais fáceis, outras mais custosas. A criança quis tanta força em certas linhas que o papel quase não resistiu. Outras eram tão delicadas que apenas o peso do lápis já era demais. Depois a criança vem mostrar essas linhas às pessoas: Uma flor! As pessoas não acham parecidas estas linhas com as de uma flor! Contudo a palavra flor andou por dentro da criança, da cabeça para o coração e do coração para a cabeça, à procura das linhas com que se faz uma flor, e a criança pôs no papel algumas dessas linhas, ou todas. Talvez as tivesse posto fora dos seus lugares, mas, são aquelas as linhas com que Deus faz uma flor!

de Almada Negreiros

in "O Regresso ou o Homem Sentado - III parte




Assinatura de Almada Negreiros

"
*****

Trabalho da Educadora Ricardina Maia, em registos foto--gráficos, com alunos do Centro Escolar de Lamego Sudeste, em actividade na Biblioteca


 FUNDAMENTAÇÃO DO PROJECTO "A Flor" de Almada Negreiros

 Acerca do texto "A Flor" - "entrelinhas e riscos - alma da flor"



   
Parece-me pertinente começar por citar João Sousa quando refere o escritor, o ilustrador, em ALMADA NEGREIROS OU “A LÚCIDA INGENUIDADE”.

«As linhas trocadas com que Almada Negreiros tece o seu texto poético – “umas numa direcção, outras noutras; umas mais carregadas, outras mais leves”, tal como as linhas daquela criança a quem pediram para desenhar uma flor – constituem uma das grandes marcas de contrastaria do seu bem vincado recorte e da sua originalidade.
Linhas trocadas e por vezes contraditórias
Linhas trocadas e por vezes tão invulgarmente díspares:
Feitas de exacerbação ou serenidade, feitas cogitação grave ou graciosa alusão, feitas arrojo expressivo ou toque de mágica singeleza, transpostas em contundente sarcasmo ou em traços de íntima, e até comovente, confidencialidade.
São linhas que o admirável pintor (e desenhador) em parte omitia ou sintetizava, geometrizando.
São linhas que o poeta – porventura de criatividade mais liberta, mais existencialmente dúctil e autêntica, mais socialmente des-condicionada, mais desinibida por uma “linguagem sem chave gramatical” – não poderia, nem quereria, escapar. »

«A Invenção do Dia Claro obra considerada, pelo próprio, ser o seu - “Reaver a inocência” -, vai decisivamente investir numa poética que postula a recuperação de inocência perdida, o nascer-de-novo, o regresso à pureza e à espontaneidade do menino que ele , tão adultamente lúcido no entendimento de si mesmo, procurou nunca deixar de ser.
A reinvenção dessa inocência, desse dia claro a emergir dum reino de obscuridades, documenta-se, na composição: “A Flor” »

«Um texto de majestosa claridade estilística, onde se reflecte, por um lado, uma óbvia adesão à criatividade efectivamente inocente – não contaminada pelo conhecer, pela acumulação cultural e, muito menos, pelas conspurcações da “esperteza saloia” -, e onde se perfila, por outro, a consequente valorização do não-saber, a positividade de uma bem entendida “ignorância”. Um não-saber, uma ignorância que em termos de realização estética, longe de significar inconsciência e ausência de cultura, quer dizer capacidade de, no instante da aventura criadora, do fulgor inventivo, se ser capaz de superar o peso e os constrangimentos dessa cultura, ser capaz de construir um novo espaço de liberdade. »

O primeiro painel remete-nos para uma leitura de “(des)construção” do texto, através de registos foto/gráficos, facilitando-nos o entendimento de que é pela alquimia da palavra que a obra literária de Almada Negreiros está tão interligada à sua obra de artista plástico.
No texto poético “A Flor” ambas as artes, a plástica e a literária, estão tão estreitamente ligadas – linhas carregadas, leves – que traduzem o traço e a ideia de uma flor que a criança concebe na sua ingenuidade e vai construindo a seu modo.
Almada, através de um texto aparentemente singelo, consegue mostrar o seu processo de criação artística, tão linear que parece usar apenas traços elementares, tal como os representados pela criança.

No segundo painel, entre a palavra e o desenho, a partir do ponto, da linha, do risco, pela mão da criança somos levados a descobrir o aparentemente simples, mas complexo universo de Almada, fazendo surgir, só como ela sabe, desenhos lineares ou distorcidos…, que nos remetem para os princípios básicos da linguagem plástica, tão bem presentes nas ilustrações de Almada Negreiros.

Da forma mais simples e natural, a partir do texto, permiti-me facilitar a passagem da palavra ao desenho:
Pedindo a uma criança: “Desenha uma flor!”
Dando-lhe papel e lápis…
Foram o ponto de partida para a criação de desenhos em suportes tradicionais a que posteriormente se juntaram diversos materiais riscadores.                                                                                                                 
Com esta mostra, deixo o desafio:                                                                                                                     Sermos capazes de transportar o nosso olhar atento para o registo gráfico de cada criança, agora e aqui exposto, tentar olhar “entre as linhas” e tentar “correr o risco” de saber ler nas “entrelinhas e riscos” porque só assim, como as crianças, vamos poder sentir a essência de cada flor –  a “alma da flor”.


Não poderia terminar sem prestar o meu agradecimento à “Professora Aurora Simões” e ao “Professor Victor Rebelo”, pelo voto de confiança ao entregarem-me a concepção desta  actividade que, acima de tudo, a entendi como mais uma oportunidade de enriquecer o trabalho que tenho vindo a desenvolver, com as crianças, como educadora.

Um bem hajam, a todos os presentes!

Ricardina Maia




*****

O mesmo tema, mas numa abordagem literária, pela Poetisa e Educadora Cristina Correia


                      A tertuliana Jacira Galhardo lê o texto de Cristina Correia (ausente)


Pensamento, palavra e desenho… à luz de uma criança!

Pela folha de papel caminha uma linha azul, preta, verde ou violeta, com um sonho dentro de mim… Sou céu, sou nuvem, sou terra, sou flor, sou jasmim. Viajo para um mundo sensorial em que ninguém me impedirá de realizar a minha fantasia. Sou pensamento, sou palavra, sou um desenho universal, tudo gravado na memória com alegria. Descubro que os movimentos podem deixar as minhas marcas. De forma livre e consciente, só eu sei que o meu desenho é só teu, Anjo luz! Sinto, perceciono e rabisco. Esboço, registo e risco. Crio e traço curvas, ondas, círculos e linhas. Organizo padrões, às vezes repito modelos gráficos para representar. Modifico-os, acrescento detalhes e cresço no céu e nas estrelinhas. O meu desenho é versátil, é artístico é de encantar! Se houver alguém que não goste, não interprete, deixe ficar. Inicio um jogo, transponho emoções. A minha palavra é um código, o meu pensamento uma metáfora e o meu desenho é a metáfora da metáfora… até à Rosa-dos-ventos! É apenas um engenho de a ideia permanecer. A minha flor é um rebento a nascer! Espalho sementes de fé e de esperança. É a minha expressão, a minha identidade. Na ternura de um abraço de paz, comunico com o mundo a liberdade… a certeza de um gesto amigo, que dá voz à minha luz. E nas memórias secretas da criança morou sempre aquela flor de um dia Ser.

                                                      Cristina Correia

*******
Algumas imagens desta Tertúlia, com o Tema: "O DESPERTAR DOS MÁGICOS - a arte, a cultura e as crianças"




Dr. José Pessoa

O pequeno David, da Escola de Música de Lamego

O pequeno Pedro, da Escola de Música de Lamego

Dr. Manuel Vaz

Dra. Mónica Lima

Dr. César Carvalho

Prof. Élia Morais

Dr. Fernando Marado

João Avelino

                                                    Aurora Simões de Matos