terça-feira, 16 de abril de 2013

HOMENAGEM ÀS COSTUREIRAS - Poema de Aurora Simões de Matos

         

                         À MINHA COSTUREIRA 

                                            D.ILDA

       E ÀS LINDAS ROUPINHAS COM QUE VESTIU 

                            A MINHA INFÂNCIA





Tive um dia um vestidinho
andava pelos sete anos
de que guardo a memória 
e que tem a sua história

Todo de piqué branquinho
tecido picotadinho
era cortado na cinta
com dois bolsinhos à frente
e atrás um laçarote

A rematar o decote
a gola em bico cortada
era toda debruada
a pontinho de recorte





A saia muito rodada
era forrada a saiote
que levava uma espiguilha
e ficava à maravilha
naquela saiinha armada
com dois lindos coelhinhos 
bordados nos dois bolsinhos

D. Ilda mo cortou, alinhavou e provou
D. Ilda mo coseu, chuleou e caseou
e mo bordou.

Entre a larga vizinhança 
corria certo boato
que agradava a minha mãe

que D. Ilda esmerava 
quando pra mim trabalhava 
e pra minha irmã também



Era falso esse boato 
que pela aldeia corria

O que afinal se passava 
era a bela sintonia
que existia
entre a boa D. Ilda a costurar
a minha criada Hortênsia a lavar
minha mãe que se esmerava a engomar
e a modelo que era eu...que bem vestia!...



                                                                                      Aurora Simões de Matos

Do livro  POENTES DE MAR E SERRA --- 1997

quinta-feira, 11 de abril de 2013

A ALFAIATARIA

           A ALFAIATARIA
         em meados do século xx 

                         



                 

Na grande sala, impunha-se enorme mesa comprida de madeira de castanho, onde se estendiam e cortavam os tecidos e onde se amontoavam, a um dos topos, panos de vários padrões, grossuras e texturas. Mas também réguas, moldes, paus de giz envernizado, almofadas com agulhas e alfinetes, caixas com carrinhos de linha (de máquina e de alinhavo), botões, molas e colchetes,tesouras de vários tamanhos, papel vegetal, chumaços, forros e entretelas.E o ferro de engomar, a brasas.




***





Os figurinos de Paris ocupavam lugar de destaque, na mesinha a um canto,  ladeada por algumas cadeiras e ao lado de coluna com o ramalhudo vaso da begónia.

Fazendo jus ao inventor que lhe emprestara o nome, a  máquina Singer era rainha na sala. Como rainha poderia ser uma Oliva ou uma Husqvarna. Sempre muito ocupada, com a cabeça cheia de pormenores de complicado enfiamento, apenas sujeita a ligeiro auxílio de mão na roda e pé no pedal.
De vez em quando, precisava que lhe oleassem a correia e a cabeça,  através de diversos orifícios, com a ajuda do bico afiado do pequeno oleador de folha. Só assim ficaria mais leve e solta para o trabalho exigente do dia a dia.

Enfiar uma máquina de costura não seria para qualquer um. Era preciso jeito, sensibilidade e prática. Para que a linha do carrinho espetado no cimo da cabeça e a linha enrolada à volta da lançadeira colocada em pequeno invólucro cilíndrico, no interior da mesa ao alcance da agulha, corressem com facilidade para, prendendo-se uma na outra ao longo de cada costura, dela fossem o direito e o seu avesso.

(......)

Aurora Simões de Matos

No livro CONTOS DE XISTO ---- 2012











sexta-feira, 5 de abril de 2013

APELOS DA PRIMAVERA



                                        PRIMAVERA

                                            APELOS



Já o chão se enfeitou de presentes.
Se souberes escutar,
ouvirás o arbusto a gargalhar de verde,
o brilho das estrelas 
coado na limpidez das águas.

Tal qual a criança que,frágil,
se abalança entre passos de gozo,
aprende a esquecer a velha condição
da natureza morta
e parte à descoberta de alianças de vida.

Já o ar se encheu de secretos apelos.
Se souberes escutar,
ouvirás na lonjura a dimensão de um sonho,
segredo guardado a desabafar
o zumbido urgente de uma esperança nova.

À boca do peito,encosta as mãos em cruz
e esculpe o modelo do amor que renasce...


Aurora Simões de Matos

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Primavera-Renovação



PRIMAVERA.........RENOVAÇÃO









A condição humana aveludou-lhe a pele de sonho
perfumou-lhe a seiva
cobriu-a de versos cor-de-rosa.
E cantou-a.

Até onde pôde coroou-lhe de espanto cada olhar
urdiu-lhe teias de enxoval de linho
estendeu-lhe caminhos virgens.
E amou-a.

À hora de lhe largar a mão
abençoou de claridades cada imagem daquele rosto
e transformou em mito cada tom do verde fértil
que lhe deu nome à raiz.
E lançou-a.

Dos Olimpos aonde a dirigiu
chegaram-lhe hinos de triunfo e soltaram-se os louros da vitória.
E orgulhou-se.

Seu sonho verdadeiro cresceu
como a semente que ao ano se renova
como a surpresa que à Vida se refaz...




                                         Aurora Simões de Matos
             

sábado, 30 de março de 2013

FELIZ PÁSCOA


VOTOS DE PÁSCOA FELIZ











Para todos os leitores deste Blog, vão os meus desejos de uma
 Santa Páscoa!!!

Uma palavra especial para quantos,além fronteiras,lutam por uma vida melhor,a que têm o máximo direito...

Que as saudades do torrão natal, que nesta época tomam uma maior dimensão,sejam amenizadas por boas notícias e os mimos possíveis dos que, aqui, continuam a esperar pelo vosso regresso...


Um grande abraço e o meu carinho para cada português de bem

Aurora Simões de Matos

segunda-feira, 25 de março de 2013

LIVRO CONTOS DE XISTO

              LIVRO  CONTOS  DE  XISTO

..................CANDIDATO AO   PNL
            (PLANO NACIONAL DE LEITURA )

...................    UM DOS  LIVROS 
                     A REPRESENTAR 
   AS EDITORAS PORTUGUESAS   
    NA FEIRA INTERNACIONAL
    DE BOGOTÁ,NA COLÔMBIA


                        ESGOTADA A PRIMEIRA EDIÇÃO



Aurora Simões de Matos



quarta-feira, 20 de março de 2013

PRIMAVERA


PRIMAVERA

Amar sem receios






 Viver a Primavera é saborear cada raio de sol que a janela da Vida,aberta de par em par,oferece de bandeja à mão que se estende para o agarrar.
É correr pelos campos e encharcar o corpo de verde... e perder-se no branco das maias,no vermelho das madressilvas,no amarelo do tojo bravio,ao som de cânticos misteriosos nascidos das entranhas femininas da terra.

É encher o peito no ar puro das madrugadas e alagar-se,a tempo inteiro,de frescura e intimidade,em rios de esperança.
É amar sem receios e espalhar amor pelas ruas e praças e jardins onde haja lugar para um gesto de fé crescer em independência e cumplicidade.
É semear sorrisos no coração de toda a gente e colher segredos no coração das coisas.
É decifrar a mensagem das aves de outros céus e reconhecer-se na voz da Natureza,no pulsar do sangue novo que há-de transformar em fruto cada flor e cumprir o milagre no ventre da Mulher.


Aurora Simões de Matos