terça-feira, 21 de maio de 2013

À roda do moinho

                                            POEMA

                                 À RODA DO MOINHO









Por sinuoso e íngreme carreiro,
lá vai descendo a jumentinha parda
de alforges carregada,
sacas bem cheias de milho muito loiro
na companhia do dono
o bom moleiro
que,tocando-a ao de leve, com carinho
compõe com ela um quadro de ternura
que pelos tempos há-de perdurar
bem para além do que o moinho dura,
muito depois do ribeiro secar...

Do ribeiro onde a milagrosa água
se desprende em branca cantilena
 toda mágoa
respondendo à monótona canção
da andadeira mó que bem girando
sobre a outra,sua gémea irmã,
recebe o loiro milho da moega
que lho entrega
para ser mastigado,bem moído
e aspergido já alva farinha
que a branca e paciente moleirinha
de ténues mãos e gesto muito brando
varrendo com carinho...vai juntando...

Da linda e doce e parda jumentinha
do moleiro e da branca moleirinha
de pestanas empoadas de alvas cores,
a vida inteira à roda do moinho
já velhinho,
hão-de através dos tempos escrever
poetas e cantar os trovadores
e em bucólicos quadros reviver
a arte de consagrados pintores...


              







Aurora Simões de Matos



quarta-feira, 15 de maio de 2013

CELEBRANDO A POESIA




Concurso desperta o gosto pela poesia junto da comunidade escolar lamecense

Ação Cultural no Concelho de Lamego
Dinamizada pela Rede de Bibliotecas
Com o apoio da Câmara Municipal

Palestras a cargo de Aurora Simões de Matos


No âmbito da Rede de Bibliotecas de Lamego, a Biblioteca Municipal , em parceria com as Bibliotecas
Escolares desafiou os alunos das escolas do 1º, 2.º e 3.º ciclos do concelho a utilizarem, com
criatividade e imaginação, as novas tecnologias da informação para participarem no concurso de poesia
"Agora o Poeta és tu..." que assinalou o Dia Mundial do Livro.
Este ano, tendo como patrono o poeta lamecense Macário Ribeiro de Almeida, o concurso procurou
divulgar a obra do poeta lamecense através de palestras muito participativas sob a responsabilidade de
Aurora Simões de Matos e de uma exposição biobibliográfica que percorreu as bibliotecas do concelho
de Lamego.
O júri, constituído por Marina Valle, Manuela Vaquero, Fernando Marado, César Carvalho, Víctor
Rebelo e professoras bibliotecárias, avaliou um total de 70 poemas, tendo distinguido pela sua
originalidade e pelos elementos de linguística, ortografia e sentido estético. os poemas do 1.º ciclo de
escolaridade "As estações do ano" (Centro Escolar de Lamego n.º 2) e o poema "Os livros" (Centro
Escolar de Lamego), do 2.º ciclo, o poema "Nada" (Escola Básica e Secundária da Sé) e do 3.º ciclo,
o poema "A Liberdade" (Escola Secundária Latino Coelho).
Durante a sessão pública de entrega dos prémios aos vencedores, Marina Valle, Vereadora com os
Pelouros da Educação, Acção Social e Cultural da Câmara Municipal de Lamego, sublinhou que o
concurso "Agora o poeta és tu..." foi “importante para despertar o gosto pela leitura e pela escrita de
poesia, além de promover o trabalho de parceria entre as bibliotecas do concelho através da rede de
bibliotecas de Lamego recentemente criada”, considera.


De carácter lúdico e divertido, o concurso "Agora o Poeta és tu..." teve como objetivo principal
estimular a cultura da escrita e fomentar os hábitos de leitura junto da comunidade escolar do concelho
de Lamego.





Contos e versos para crianças no Dia Mundial do Livro
Biblioteca Municipal de Lamego
Atividade a cargo de Aurora Simões de Matos


 
A sociedade contemporânea apresenta-nos uma imensidão de informação que persegue a nossa vida e que muitas vezes nos fazem leitores passivos ou inconscientes. O mundo atual segundo Edgar Morin, sociólogo e filósofo francês, não se pode conceber como um sistema organizado, racional. É um caos, é uma vertigem em movimento. Assim, esta sociedade de informação que, por vezes, nos confunde ou aliena, torna-nos incapazes de acompanhar um novo paradigma informacional: a volatilidade da informação.
Aqui surge a leitura, a qual acompanhou toda a história do livro, bem como o desenvolvimento de novas ferramentas tecnológicas, como instrumento essencial à compreensão, organização e construção de nova informação e conhecimento. Apesar do texto digital representar uma nova forma de relação com o leitor, porque permite uma maior interatividade, quando possibilita navegar na internet (pesquisar, localizar e aceder a informação), o livro mantém-se fiel ao seu leitor.
Às habituais declarações de amor ao livro, contrapõem-se as desculpas para os não ler, destacando-se a falta de tempo como a principal razão que justifica a ausência do livro na nossa vida. Porventura, pretender-se-á encobrir outra realidade que se fundamenta na ausência de familiaridade real com a leitura, frequentemente entendida como algo que é maçador, realizada com um fim específico, nunca com o fim em si mesmo, algo que exige esforço e dedicação, muito diferente do comportamento passivo e intuitivo que se nos oferece a televisão e a internet. A baixa prática de leitura limita a compreensão do mundo que nos rodeia, tornando-nos menos autónomos e competentes. Acumular leitura é essencial à construção de uma personalidade que assenta pilares em valores humanos que promovem o saber ser e o saber estar em sociedade. O não ler deve ser entendido, em primeiro lugar, como a privação de um prazer e de acesso à arte, sabendo-se que a arte torna a vida no mínimo mais suportável e oferece uma fuga ao presente mundo de grande pressão e tensão social, alimentando a constante procura da felicidade.
Nesta perspectiva, comemorar o Dia Mundial do Livro assume relevo e destaque, pois ressalva a importância do livro e da leitura na vida das pessoas. Assim, no passado dia 23 de abril de 2013, a Biblioteca de Lamego convidou a professora e poetisa Aurora Simões de Matos a presentear as crianças da Santa Casa de Misericórdia de Lamego com a leitura de um conto inédito da sua própria autoria. A sua capacidade de expressão oral cativou e despertou o entusiasmo e interesse das crianças que tiveram a  oportunidade de viver um espaço repleto de livros e de leitura.
Fonte: Biblioteca Municipal - abril 2013

(do site da Câmara Municipal de Lamego)

terça-feira, 14 de maio de 2013

À PROA----POEMA


  
                                    À PROA







                                   À PROA

Esperarei por outra viagem
e inventarei dela o rumo.

Pedirei ao vento que me traga 
as ideias que perdi pelo caminho.

Nasci para ser barco no mar alto
e o mar é imenso de atravessar
e os meus destinos são os destinos dos outros.

Esperarei na praia
que as ondas apaguem as pegadas que não são minhas.

Depois,à proa,sulcarei o caminho das águas
e ensinarei às aves marinhas a canção da minha história...




                                            Aurora Simões de Matos

sexta-feira, 10 de maio de 2013

Vinícius de Moraes...Tertúlia e Programa de rádio

                       


                                   VINICIUS DE MORAES

                                                 FOTOS

                          Tertúlia Literária em LAMEGO

                                                     e

                                PROGRAMA DE RÁDIO

                         AUTORA----Aurora Simões de Matos    
                                  (clique no endereço abaixo)

Quando o Verso se Desfolha – 08.Maio.2013



Algumas   FOTOS  do serão  .......  11 /Abril/2013








                 A sala da Tertúlia.....Biblioteca do Hotel Lamego






                          Com a presença do Sr.Presidente
                          da Câmara Municipal de Lamego






Aurora Simões de Matos, 
dinamizadora e coordenadora da Tertúlia,
com o Presidente Francisco Lopes




                                   Os dois palestrantes,
                            Drs.José Pessoa e André Freire




                                    Dr.Gervásio Pina canta
                                  "GAROTA DE IPANEMA "




                                        Aspecto da sala,
                            que esteve completamente cheia









terça-feira, 30 de abril de 2013

AS MAIAS,GIESTAS EM FLOR .....POEMA


AS MAIAS

( COSTUMES DAS BEIRAS )













Já floreiam giestas pelos montes
Aromas acres invadem os caminhos
O amarelo e o branco em horizontes
À mistura com roxos rosmaninhos.

Vamos em bando colhê-las aos braçados
Antes que nasça o sol da madrugada
Com elas marcaremos a morada 
Das nossas gentes e dos nossos gados.

Para que não entrem nelas inimigos
Nem a má sorte de azares ou castigos
Que às vezes caem sobre a natureza.

As maias são prenúncio de farturas
com que a Terra nas suas criaturas
Presenteia o trabalho e a beleza.







                                            Aurora Simões de Matos


domingo, 28 de abril de 2013

VASTIDÃO---POEMA

VASTIDÃO





De todos os cimos se contemplam as estrelas
que as auroras escondem de mansinho
em cada despertar de novas fontes para prodígios de luz
espelhadas em veios de sangue à flor da pele.

De todos os cimos a noite se raia de brisas
balouçando o compasso das sombras nos fraguedos
até se abrir em longos gemidos
na amargura das giestas à flor do vento.

De todos os cimos as nuvens se pressentem 
esquecidas já do mar
filtros de sol castelos dos cabeços
em jogo de escondidas jogo errante
até se perderem de cansaço
na liberdade infindável.

De todos os cimos se estendem horizontes
na vastidão autêntica dos pertos e dos longes
vales e planaltos
o sombrio dos fundos tumulares
e o recorte do céu pousando sobre os montes
encontros e desencontros de distâncias
condenadas ao esmagar das magnas quietudes.


                         Aurora Simões de Matos