domingo, 16 de junho de 2013

AS CORES DA SERRA....POEMA


                                              AS CORES DA SERRA





Todos  os anos na Primavera,
a serra veste o seu vestido verde
e faz um novo penteado de hera...
                           




                            Todos os anos em fins de Verão,
                             a serra  troca o seu vestido verde
                             por cores doiradas que lembram o pão...





                             Quando o Outono cai pela encosta,
                              a serra veste de tons multicores
                              o vestido de que ela mais gosta...

                 


                         Quando a serra quer vestir de branco
                          e festejar seu tempo de noivado,
                          a neve empresta-lhe o seu alvo manto...


(fotos da net)


                                                        Aurora Simões de Matos



segunda-feira, 10 de junho de 2013

TERTÚLIA LITERÁRIA


                      TERTÚLIA LITERÁRIA EM LAMEGO

                          COORDENAÇÃO DE AURORA SIMÕES DE MATOS


                                                       TEMA :  EUGÉNIO DE ANDRADE






                                               Drs. António Martins e Eduardo Leal

                                                             os dois oradores da noite


 

Aurora e Dr. José Pessoa





                

               ATÉ AMANHÃ



Sei agora como nasceu a alegria,


como nasce o vento entre barcos de papel,


como nasce a água ou o amor


quando a juventude não é uma lágrima.



É primeiro só um rumor de espuma


à roda do corpo que desperta,

sílaba espessa, beijo acumulado,

amanhecer de pássaros no sangue.



É subitamente um grito,


um grito apertado nos dentes,


galope de cavalos num horizonte 

onde o mar é diurno e sem palavras.



Falei de tudo quanto amei.


De coisas que te dou

para que tu as ames comigo:

a juventude, o vento e as areias.


                                                     Eugénio de Andrade








Nelinha Barros


Dra. Jacira Galhardo



A jovem Poetisa BÁRBARA CARRULO


                                                                        Dra. Isilda Afonso



                                                                    
                                                                       Dra. Manuela Vaquero



                                                      Dra.Maria do Sacramento Matos




                            Aurora Simões de Matos


















quarta-feira, 5 de junho de 2013

O PASTOR DA SERRA......Poema de Aurora Simões de Matos

                                 

                                                          O PASTOR DA SERRA




                                                                                                                                       Imagem da net


Dá-me a água do cantil que trazes a tiracolo...
Dá-me a bucha do bornal
e não me leves a mal
que te peça para mim o burel e o cotim 
desse modo de vestir
com que passeias o monte por longos dias sem fim...

Dá-me a flauta de cana e a música com que enfeitas
as horas mortas que deitas nesse chão que não te engana...

Dá-me o sol e dá-me a chuva do tempo agreste em teu rosto,
dá-me manhãs de fescura e trindades ao sol posto...

Dá-me teus vãos pensamentos sem destino, vagabundos,
e dá-me o silvo dos ventos e a sombra dos vales profundos...

Dá-me o teu tempo sem fim, que o quero para mim,
e se puderes, dá-me os mundos que trazes nos sentimentos...

Dá-me tudo o que te peço e mesmo o que te não peço
mas ainda pra dar tens
quando vais e quando vens por todos esses caminhos 
de lendários carreirinhos 
que se perdem na memória
e a serra esconde em seu rosto e tu percorres por gosto
dessa vida re...pe...ti...da...
de gestos gastos......sem história...



Ti Zé da Virgínia com a sua flauta


                                                 Aurora Simões de Matos

sábado, 1 de junho de 2013

LENDAS BRANCAS (POEMA )



POEMA




                                      LENDAS BRANCAS


No instante do olhar sem brilho
qualquer palavra acabará sem voz...

As horas trémulas onde o frio se demora
a desfazer marcas de viagens sem regresso
virão vestidas da mesma cor
que as rosas onde habitam lendas brancas...


                                        Aurora Simões de Matos

terça-feira, 28 de maio de 2013

ALDEIA DA PENA, UM MUNDO QUASE IRREAL



    JÓIA DE XISTO PERDIDA NUM  BURACO DA SERRA DE S. MACÁRIO

                                   S. PEDRO DO SUL







Subir ao S. Macário é já uma festa. Descer aquela via estreita de quase três quilómetros, em constante confronto com o abismo, para além de ser um acto de coragem em jogo de subtilezas que não admite qualquer batota, é também um percurso de migração em que a nossa identidade dá o salto para um mundo quase irreal.

Desfeito o segredo, pára-se de pasmo e respira-se calmamente o espírito do lugar. É um sítio romantizado no intimismo de uma paisagem secular, parada no fio do tempo, pelos inúmeros visitantes que chegam e que partem.Vieram em busca da experiência inesquecível.

Estamos numa cova funda de estranhos limites entre três montes apertados e íngremes, que a natureza  beneficiou com uma larga garganta: o Portal de abertura,  voltado à distante Montemuro. O Portal escancarado por onde entra o ar e a paisagem. E por onde segue, indiferente à curiosidade alheia, a diligente ribeira que, depois de regar campos e pequenos jardins, se lança em apressada correria na direcção da Paiva.

Sendo a Pena uma  aldeia de xisto  e fazendo ela parte do conjunto de « Aldeias Preservadas » de Portugal, não há aqui lugar para qualquer artifício que possa manchar o equilíbrio. Na rusticidade deste conjunto de dez casas restauradas nos últimos anos, algumas com o apoio da autarquia, a sua pujante área de cultivo hoje bastante limitada, e os seus montes. Os seus montes onde, alheio à provocante modernidade das sentinelas eólicas como vigilantes indiscretas, tranquilamente pasta o rebanho de cabras e ovelhas de Alfredo Brito.

A este homem, nascido na Serra da Estrela, emigrado para a Suíça, que trabalhou na Cozinha Velha do Palácio de Queluz, onde (di-lo com uma pontinha de orgulho) serviu grandes Figuras de Estado, como os Reis da Bélgica e outras altas personalidades, deve a Aldeia da Pena muito do interesse e do movimento que tem actualmente. Em especial aos fins de semana dos meses de tempo quente.

Decidido, ambicioso, trabalhador, destemido, educado, bem falante, Alfredo Brito sabe o que quer e como lá chegar. Aqui aportou no dealbar do século XXI. Na bagagem, trazia a paixão por uma jovem com raízes na Pena - Ana Cristina de seu nome - a paixão pela restauração, ramo que lhe era bastante familiar e a paixão pelo empenho no sucesso. A partir do quase nada.

Quando ele chegou, viviam na aldeia cinco pessoas. Longe iam os tempos em que a Pena fervilhava de azáfama agrícola e pastoril, com cerca de sessenta habitantes. Em que as crianças, em grupo, percorriam diariamente a pé cerca de cinco quilómetros, para chegarem à escola mais próxima, em Covas do Rio. Pelo carreirinho de terra batida, ao longo da ribeira. 
Em que, por carreiros que serpenteavam montes e vales, se chegava a pé, de burro ou a cavalo. às povoações vizinhas, ainda tão distantes! 
Em que a água da velha fonte servia toda a gente. E a luz da candeia ou do gasómetro eram as únicas que alumiavam a escuridão de breu, pouco depois do sol se pôr, mais cedo que nas outras terras, e até o sol aparecer de novo, mais tarde que nos outros povos.

Longe iam os tempos em que nas casas, nos campos e nos caminhos, se ouviam conversas, canções e gargalhadas à solta, o tilintar da guizalhada dos animais, os manguais a bater compassadamente na eira, o matraquear dos teares, o rodar da mó no velho moinho. Se sentiam, pelo caminho da fonte, o arfar dos corações nos jovens enamorados. Se ouviam cantigas de embalar berços de crianças consoladas no leite materno.

Quando Alfredo Brito chegou à Pena, apenas cinco pessoas, acomodadas ao isolamento e à solidão que já não doía, porque a dor tinha ficado espalhada por vidas feitas de pequenos dramas que se habituaram a aceitar com a naturalidade das pequenas alegrias.

Se é sabido que, nos tempos de crise que correm por todo o lado, o empreendedorismo jovem deve ser apoiado e estimulado, o certo é que, para as bandas da Pena, não têm corrido esses ventos de feição.
Alfredo Brito não se deixa intimidar pelo despeito do quase abandono. Para consolo dos que, amantes da boa gastronomia tradicional, procuram o seu  RESTAURANTE ADEGA TÍPICA DA PENA, ali continua, aberto a uma visita e a uma boa conversa.


A uma das aldeias de xisto mais autênticas do País, bem poderia e deveria chegar-se por acessos mais condignos. Para segurança e regalo dos olhos visitantes e maior comodidade dos que aqui habitam, apoiados nos seus campos, nos animais que criam e no artesanato que manufacturam. Gente que, heroicamente, sabe tirar partido do isolamento em que vive. Continuando a não trocar por nada os ares lavados e o aconchego deste canto pequenino. 

 JÓIA DE XISTO  perdida e quase esquecida num buraco da serra....


Aurora Simões de Matos - 2013


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Casas de xisto ...são todas elas...



Casa de Artesanato


 




                                            Aurora Simões de Matos

( imagens da net)


domingo, 26 de maio de 2013

BALADA DO MEU SENTIR----POEMA




                                Balada do meu sentir



Instante de vida
mais belo que um rosto
momento risonho
mais belo que a vida
no rosto da gente
escrito no tempo 
das coisas sem tempo
sentidas no sangue 
que corre no corpo
de um corpo sem rosto
mais belo que a vida 
de sentir disperso
que o breve momento
colheu ao passar
lembrança risonha
canção de embalar...

a lua sorrindo
ao ver-me passar
lançou pelo vento
em breve momento
meu tempo de ama



                             Aurora Simões de Matos