quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

BEIJO


BEIJO





O olhar cresce e a boca se insinua
à intimidade total do grito
e a vida em turbilhão morre sem pressa
em purpúreo esplendor do infinito
no aberto incêndio do desejo...

pois ali tudo é céu, inferno, fogo e chuva
vulcão de lava ardente
rio que desabou
 trovão a ribombar em seu lampejo...

pêssego de cetim e sumo de uva
romã que amadurou
no momento selvagem de um só beijo...



                                        Aurora Simões de Matos
                                12/ 02/ 2014

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

NEVE NA SERRA DO MONTEMURO


NEVE NA SERRA DO MONTEMURO

Algumas aldeias do Montemuro estão hoje isoladas, devido ao manto de neve que atinge, em alguns pontos, mais de um metro de altura



É o Montemuro branco amortalhado
silêncio pesado que lhe cobre o corpo
no frio parado que lhe esconde o rosto
na grandeza austera do céu transbordado

É a serra inerte de alma despojada
na distância em flancos cobertos de alvuras
onde o som que corta o ar das alturas
me zurze de invernos a boca gelada

É  a cor do frio no tempo parado
de corgos que choram murmúrios de dor
nas pedras que calam sua voz de amor
ao êxtase branco do amortalhado


                              Aurora Simões de Matos





segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

POEMA......"PENEDIAS"


PENEDIAS


Penedias plantadas pelo monte perdido
testemunhas do tempo mais antigo
sobranceiro aos homens
paradas como a morte, pesadas como a morte...

Que a dor deste peso
é o orgulho supremo de se ser virgem
pois nem nunca o vento as trespassou
que as deusas não se penetram...



Sinais da fronteira do Céu alheio à Terra
esculturas do tempo mais antigo
sombras caindo nos longes mais profundos
são, ainda assim, vozes de súplica
há muito sufocada no silêncio vazio das alturas...

Nos espaços abertos aos contrastes rudes
adivinham-se gritos na timidez das forças...


                                            Aurora Simões de Matos





quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Quando o Além me chamar


QUANDO O ALÉM ME CHAMAR



A lua cheia voltará seu rosto
à ironia de um destino incumprido
na noite imensa, ao longo de murmúrios
(...)

Apenas o eco se ouvirá dos passos...

Alguém virá tentar despir-me então, eu sei
a pele de sentimentos tão só meus
vestes esfarrapadas da memória
as sandálias rompidas
no longo peregrinar de meus caminhos

Alguém virá contar, a voz a soluçar
lamentos derradeiros, saudades sem esperança
passagens diluídas
em novo entretecer de mil lembranças
no tear misterioso do amor

Alguém virá depois então dizer, eu sei
que entre dois palmos de terra nasce o verde
que na raiz da madrugada nasce o sol
que entre duas nesgas de luz renasce o dia
se acaba um luto, se rasga um nome

Um nome...

Terá encostas de serra e penedias
desnudadas ao vento em arrepio
a engravidar de canções o íntimo da terra

Terá gente que chora e reza e estremece
rostos que foram sangue
o sangue numa oferta a latejar
quando a seiva era força e fogo e gesto de beijo

Terá gente que sonha e beberá meus versos
com sabor agridoce
no lento saborear do que restar de mim

E do alheamento
em que se transformar minha vertigem
talvez que esse nome ressuscite
para, liberto já dos fados duma vida
ser por meu fado
berço e sepulcro, inferno e santuário
num corpo todo ele feito de nada
de um mundo todo ele feito de tudo



                                   Aurora Simões de Matos
              no livro " Quando o Além me chamar"
2002 ----- 44 autores


terça-feira, 7 de janeiro de 2014

OPORTUNIDADES


OPORTUNIDADES






                       OPORTUNIDADES


Podem encontrar-se:



- Ao virar da esquina que, por ser esquina, não ajuda 


  à visibilidade.

- Na curva sinuosa do caminho que, por ser curva,  

  nos desvia a atenção.

- Na berma do percurso que, por ser berma, não nos 


  merece confiança.

- No piso escorregadio da via que, por ser 


  escorregadio, nos levanta temores
.
- No meio da estrada plana que, por demasiado

  
  óbvia, nos desperta suspeitas.



Assim sendo, é forçoso que o essencial seja uma


elevada dose de confiança em nós próprios...




Porque todos guardamos forças bem para além


do que julgaríamos ser o nosso limite, foi desde 

sempre nos momentos mais difíceis da História que

 o Homem soube descobrir as suas potencialidades 

 mais  escondidas, oferecendo-se a si próprio e aos

 outros as  OPORTUNIDADES maiores de 

 sobrevivência e de crescimento.



Neste Novo Ano que todos desejamos de ESPERANÇA


renovada e concretizada a nível pessoal e

 colectivo...votos de BOAS OPORTUNIDADES e de

 CONFIANÇA, para nelas investirmos o redobrar das

 nossas FORÇAS...




                             Aurora Simões de Matos

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

NATAL NA TERTÚLIA

TERTÚLIA
 "ARTES E LETRAS NO HOTEL LAMEGO"
NATAL DE 2013



DIA 14 DE DEZEMBRO DE 2013








PRIMEIRA  PALESTRA

"O ESPÍRITO DO NATAL ATRAVÉS DOS TEMPOS"
Pela Dra. Isolina Guerra



Nota introdutória: o afastamento das letras, da leitura, da escrita de lazer faz com que a mente entorpeça e os dedos se recusem a acompanhar o pensamento que se produz.
Trabalhando agora na Biblioteca Escolar e vendo a avidez de um grande número de alunos que fazem requisição semanal de livros (com respetivas fichas de leitura), a adesão ao Concurso Nacional de leitura, o registo que têm de palavras belas  de quem já sente a literatura como sua, deixam-me sentir muito pequenina neste mundo da literatura.
Daí que a minha sensação seja a de poder expressar pouco por palavras o que o espirito sente bem lá no fundo, mas vamos tentar:

Foi-me pedido para abrir esta Tertúlia de gente tão nobre nas lides da escrita, para falar de um tema que é muito querido a todos nós:
Ø  " O Espírito de Natal através dos tempos"

A vertente que me foi proposta soube-me a viagem e lá fui eu procurar no meu “baú de memórias” o que lembro…
Natal… digam o que disserem, é nascimento de um Ser especial – o Menino Jesus.

A data correta? ...Que interessa? Apenas aos cientistas cabe decifrar… a nós interessa-nos que foi “há muito, muito tempo…”

Onde?... Lá longe, numa terra distante…

Quem viu?... Maria e José, pastores humildes e simples e Magos ricos e sábios foram as testemunhas que nos revelaram…

O contexto?... Um tempo de lutas de povos para provar a sua supremacia e o seu poder… os fracos, esses esperavam um Salvador!

O Espirito do Natal?... Nasceu há muito, muito tempo, lá nesse país distante, pelo sorriso de um recém-nascido adorado pelos simples e pelos sábios, observado e aconchegado nos braços da Sua Mãe que o oferecia ao mundo para ser o seu Salvador…

Foi vivido e celebrado ao longo dos séculos da História este acontecimento perpetuando a memória que não se apaga e de várias formas sempre foi lembrado, através das gerações.
Foi S. Francisco de Assis que, em 1223, construiu o primeiro Presépio de que há memória, tentando reconstituir, numa gruta em Greccio, Itália, o acontecimento ocorrido, de forma a melhor poder instruir o povo que assistia às cerimónias. Era pela imagem que a fé se disseminava pelo povo, na sua maioria analfabeto.

Na beleza dos rituais, nas sensações causadas pelas imagens, conseguia-se criar o espirito desejado, para se perpetuar no tempo a mensagem desejada.
A tradição destas construções correu célere no tempo, no espaço físico, nas mentalidades e foi perpetuando o acontecimento que lhe deu origem, construindo-se de forma rica ou pobre, com mais ou menos adereços em cada Lar, para celebrar um tempo passado.
Pintores, escultores, todos se esmeraram em fazer o seu “Presépio” especial que conseguisse traduzir o sentimento que lhes aflora à alma, quando lembram o acontecimento ocorrido há mais de 2 mil anos.
Cantores e escritores louvam nas suas odes e nas suas linhas esse Menino que se ofereceu para nos dar algo muito especial.
E o Espirito do Natal foi-se enraizando na memória dos nossos antepassados, que o transmitiram às gerações vindouras, num constante perpetuar de tradições e rituais.
Quando procurava algo, lá pelas prateleiras de casa, para ilustrar este tema,  veio-me à mão este livro :“Natal Renascido” da autoria de 36 autores, onde cada um mostrou o que pensa, sente e expressa sobre o Espirito de Natal.

Ora... e se me permitem, aqui vai uma parte de um texto:

«...Por vezes felizes, por vezes mais descontentes com as nossas prendas, abríamos os embrulhos que se encontravam junto de cada sapato. Depois, era a hora de aceitar carinhosamente o que nos fora reservado.
A hora era de preparar para ir à MISSA DE NATAL, estreando as roupas novas ou os sapatos que faziam parte do leque das nossas prendas e exibi-las com orgulho perante todos.
Regressados a casa, almoçávamos e de seguida corríamos a casa dos vizinhos (se o tempo o permitia), para partilhar as prendas com os nossos amigos.
E o tempo passava alegre e feliz, ignorando a autoria das nossas prendas, acreditando piamente que o Menino Jesus fazia o milagre de sair da sua cabaninha e vir trazer-nos a prenda que tanto desejávamos.
Momentps felizes que, vindos hoje  à minha memória, trazem os sabores, as sensações, a alegria dos sentimentos que ficaram gravados bem fundo do ser e que ainda hoje parecem vivos...»

Mas crescemos… e o que acontece com este Espirito de enlevo, de memórias de um Natal passado?
Vejamos…

«...Tudo foi substituído: o Menino Jesus pelo Pai Natal...o elaborar carinhoso de uma prenda pela compra de objectos...a confecção das iguarias pela aquisição no exterior...o Presépio, como parte principal, deu lugar à Árvore de Natal ricamente decorada...e tantas outras mudanças. E o pior foi a perda do encantamento das crianças...
...E agora?
Chegou a hora de deixar de lado o meu baú e olhar firmemente a realidade lá fora...
Ainda há Natal?

Resolvi abrir a janela do mundo, a Internet. e fui visitar o Natal das crianças de hoje.
Pecorri mundos e sítios, notícias e histórias, fiz do meu ecrã um lugar de passeio pela Humanidade e o que encontrei fez-me tremer de infelicidade...»

.........

E assim manteremos vivo o Espirito de Natal que se renova a cada dia, na Esperança que se faz vida em cada criança que nasce, porque ela traz missão para cumprir e tem nas suas mãos o poder de mudar o Mundo.
E que nós nunca deixemos de viver o encantamento do NATAL!!!


                                                                                    Isolina Guerra


                                                                           

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SEGUNDA PALESTRA

ANUNCIAÇÃO... PERSPECTIVA E MISTÉRIO
PELO DR. JOSÉ PESSOA









ACIMA, ALGUMAS DAS IMAGENS PROJECTADAS EM  ÉCRAN
PARA DOCUMENTAR A BRILHANTE INTERVENÇÃO
DO DR. JOSÉ PESSOA




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( PRIMEIRA CANÇÃO DE NATAL GALAICO-DURIENSE,
CANTADA EM CORO PELOS TERTULIANOS )


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TERCEIRA PALESTRA

"OS CONTOS DE NATAL NA LITERATURA"
PELO DR. ANTÓNIO MARTINS


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GALERIA DE FOTOS



















Aurora Simões de Matos
Fundadora e Coordenadora desta TERTÚLIA