quinta-feira, 10 de abril de 2014

PRIMAVERA...APELOS



APELOS DE PRIMAVERA




Já o chão se enfeitou de presentes...

Se souberes escutar
 ouvirás o arbusto a gargalhar de verde
o brilho das estrelas
coado na limpidez das águas...

Tal qual a criança
 que frágil se abalança entre passos de gozo
aprende a esquecer
a velha condição da natureza morta
e parte à conquista de alianças de vida...

Já o o ar se encheu de secretos apelos...

Se souberes escutar
ouvirás na lonjura a dimensão de um sonho
segredo guardado a desabafar
o zumbido urgente de uma esperança nova...

À boca do peito encosta as mãos em cruz
e esculpe o modelo do amor que renasce...


Aurora Simões de Matos



quinta-feira, 20 de março de 2014

ÁGUAS DE MARÇO....POEMA



ÁGUAS DE MARÇO


As fontes acordaram para sedes de ternura...

Cada gota de água nos lábios de Março
há-de refrescar de mimos as horas e as palavras
de um tempo habitado de pássaros brancos
por onde as nuvens não passem nunca mais...


                     Aurora Simões de Matos

quarta-feira, 12 de março de 2014

A VOZ DO MAR...POEMA


A VOZ DO MAR





A VOZ DO MAR



Faz com a mão uma concha

e guarda o som do mar

na concha da tua mão...



Porque essa mão é o búzio

no areal do teu corpo...



Com a tua mão em concha

vais ouvir o marulhar

e com ele a voz do vento...



Guarda em ti esse momento

da voz de Deus a cantar...



E se no teu areal

perpassar a emoção

desse instante que é só teu...

espraia-te à beira-mar

e respira a voz de Deus

na brisa do Seu cantar...





                           Aurora Simões de Matos

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

POEMA......." PARA QUÊ??? "


PARA QUÊ...?







Alta noite, silêncio, escuridão

Eu... cantando meu verso dolorido

Verso que se solta da minha mão

Como pena que esvoaça sem sentido



Longe de tudo, tão longe do mundo

Na fria noite deste desamor

Em vez de dormir já sono profundo

Brado em verso este meu clamor



E quem ouve meu brado, quem me lê 

Se toda a gente dorme a esta hora

E não há vento que me leve a voz?



Para que escrevo versos, para quê

Se qualquer noite eu me vou embora

E os deixarei ficar... tristes e sós?




                         Aurora Simões de Matos