sábado, 19 de abril de 2014

TEMPO PASCAL----A PÁSCOA DOS EMIGRANTES


Vidas em Regresso





A PÁSCOA DOS EMIGRANTES

Deixaram um dia
a musicalidade das fontes
e o trilho de caminhos desabridos
com a saudade
que a brisa dos seus sonhos tentou em vão esconder

Encheram cidades cinzentas de estranhas falas rezadas
e ajudaram a poluir horizontes apertados
onde não cabia sequer a sua crença

Aprenderam linguagens sem estilo
e ofereceram suor e lágrimas
a caminhos que não eram os seus


Espelharam miragens encantatórias
em cada regresso
às origens agrestes de seus pais e avós

Elegeram a PÁSCOA
como a primeira das três vezes
em que no ano haveriam de vencer todas as distâncias
adentrando a estação maravilhosa


Reabrem as varandas das encostas
saboreiam aromas púberes
adoçados na masseira das lembranças
emolduram de perfume a rosmaninho e alecrim
portas que se oferecem à Visita do Senhor
e a rituais de romântica ancestralidade

Trazem dias de festa
e emprestam pinceladas coloridas 
ao xisto negro que os viu nascer...
ao granito duro que os viu partir...


                                             Aurora Simões de Matos



sexta-feira, 11 de abril de 2014

CONFECÇÃO DO BOLO PODRE DE CASTRO DAIRE

BOLO PODRE DE CASTRO DAIRE....RECEITA

BOLO PODRE DE CASTRO DAIRE

RECEITA




 pão.
Receita: Tomem-se 2 kg de farinha de trigo (normal); 1/2 kg de açúcar branco; 1/2 litro de azeite fino; 25 ovos inteiros; 100 g de manteiga; 75 g de banha de porco; canela em pó a gosto (para estas quantidades 2 de colheres de chá); 250 a 300 g de fermento de padeiro; uma pitada (1 colher de chá) de sal.
Deita-se a farinha na masseira e mistura-se-lhe o açúcar e a canela. Faz-se uma cova ao meio e despeja-se dentro o fermento previamente desfeito num pouco de água morna. Mexe-se tudo muito bem e, enquanto se vai mexendo, vão-se misturando os ovos (que devem estar num recipiente com água morna), um a um. Se forem muito grandes, por vezes nem se gastam todos quantos a receita preceitua. Amassa-se, então, muito bem, como se amassa o pão, mesmo a murro. Quando estiver meio amassada, mistura-se o azeite (a ferver), a manteiga derretida e diluída no azeite, assim como a banha. Continua a amassar-se até a massa empolar e as mãos sairem limpas. Cobre-se, então, com um panal e deixa-se a levedar durante o tempo que for preciso. Quando a massa acabou de crescer, tira-se o panal e estende-se num tabuleiro grande de madeira onde se vão colocando os bolos meios moldados numa tijela grande ou alguidar, aconchegando-os um a um com o panal, para eles crecerem para cima. E assim ficam a levedar mais uma hora. A seguir leva-se cozer no forno de lenha, se não possuir poderá cozinhá-lo num forno de gás ou eléctrico o resultado embora não tão rústico é bastante agradável na mesma.


Receita da net

quinta-feira, 10 de abril de 2014

PRIMAVERA...APELOS



APELOS DE PRIMAVERA




Já o chão se enfeitou de presentes...

Se souberes escutar
 ouvirás o arbusto a gargalhar de verde
o brilho das estrelas
coado na limpidez das águas...

Tal qual a criança
 que frágil se abalança entre passos de gozo
aprende a esquecer
a velha condição da natureza morta
e parte à conquista de alianças de vida...

Já o o ar se encheu de secretos apelos...

Se souberes escutar
ouvirás na lonjura a dimensão de um sonho
segredo guardado a desabafar
o zumbido urgente de uma esperança nova...

À boca do peito encosta as mãos em cruz
e esculpe o modelo do amor que renasce...


Aurora Simões de Matos



quinta-feira, 20 de março de 2014

ÁGUAS DE MARÇO....POEMA



ÁGUAS DE MARÇO


As fontes acordaram para sedes de ternura...

Cada gota de água nos lábios de Março
há-de refrescar de mimos as horas e as palavras
de um tempo habitado de pássaros brancos
por onde as nuvens não passem nunca mais...


                     Aurora Simões de Matos