sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

HINO OFICIAL DE CASTRO DAIRE



HINO OFICIAL DE CASTRO DAIRE

PELA

BANDA DE MÚSICA DOS BOMBEIROS VOLUNTÁRIOS DE CASTRO DAIRE


AUTORES

LETRA - AURORA SIMÕES DE MATOS

ORQUESTRAÇÃO - JOEL MONTEIRO 

VOZ - CATARINA PARENTE

Clique na imagem para ver o vídeo e ouvir o
                        HINO DE CASTRO DAIRE


CANTO A CASTRO DAIRE

Os ares do Montemuro respirei
Nas águas deste Paiva me encantei
Por encostas de xisto fiz meu lar
À sombra do granito fui rezar

Em fontes cristalinas refresquei
Do sol abrasador com que crestei
Ao lume me aconcheguei na lareira 
Quando a neve cobriu a serra inteira

Em fresca de ribeiros me banhei
Nos montes meu rebanho apascentei
Os pinheirais ouviram-me o lamento
Por milheirais lancei canções ao vento

Com fuso e roca mil noites fiei
Dores de linho e lã muito beijei
Na mó de meus moinhos se calcaram
As saudades de quantos me deixaram

Em carreiros da serra tropecei
Pela ajuda de Deus me levantei
O amor com que piso este meu chão
Da terra abençoada arranca o pão

No meio deste Povo me criei
E sempre que parti aqui voltei
Com ternura me orgulho da raiz
Que me sustenta o ser e faz feliz

                                               Aurora Simões de Matos

EDIÇÃO  - A. S. M. 
JANEIRO 2015


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IMAGEM AÉREA DA SEDE DO CONCELHO 

OBRIGADA!!!


quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Poema de Aurora Simões de Matos ... Quando a Além me Chamar

                                   
             QUANDO O ALÉM ME CHAMAR





Aurora Simões de Matos

quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

FELIZ ANO DE 2015



A TODOS OS MEUS LEITORES E AMIGOS DESTE BLOGUE,  VOTOS DE FELIZ ANO DE 2015!!!

PAZ... SAÚDE... ALEGRIA... AMOR... LEALDADE NOS AFECTOS...



                                                          Aurora Simões de Matos




sábado, 27 de dezembro de 2014

DO MONTEMURO AO S. MACÁRIO E ARADA.... POR MOÇÃO, MEÃ E S. MARTINHO DAS MOITAS


PASSEIO  INESQUECÍVEL

( DEZEMBRO DE 2014 )

COM A ESCRITORA CASTRENSE, DOLORES MARQUES


No adro da capelinha de Moção, a terra de Dolores Marques



Como fundo... oliveiras de Moção




Na velhinha fonte de Meã de Baixo




 Em Moção que já foi sede de concelho, nos primórdios da nacionalidade portuguesa



 A passar pelo alambique do Povo de Baixo, em Meã



 Na entrada da casa onde nasci, em Meã, Castro Daire



 Marcas que não me deixam mentir!!!... ou  O carinho das gentes da minha terra



 O CRUZEIRO DA PAZ EM  LUBÍZIOS, S. MARTINHO DAS MOITAS, S. PEDRO DO SUL, edificado em cumprimento de promessa e como regozijo pelo fim da Segunda Guerra  Mundial


 Mandado edificar, em 1945, por AGOSTINHO GASPAR GRALHEIRO, MEU PAI...



Com a escritora castrense Dolores Marques, minha companheira nesta viagem inesquecível...
 DO   MONTEMURO  À  ARADA


Dezembro de 2014

Aurora Simões de Matos

domingo, 21 de dezembro de 2014

CONTO DE NATAL-------- O NATAL DA IN ( DIFERENÇA ) ------- Aurora Simões de Matos



O NATAL DA IN ( DIFERENÇA )

TESTEMUNHO REAL




Era para ter sido um Natal igual a tantos outros, com as recordações que a distância do tempo nunca apagara. A inocência do meu sapatinho de criança ao lado da lareira, por onde haveria de descer o Menino Jesus, mais tarde transformado em Pai Natal, a trazer-me rebuçados e brinquedos de latão. A mãe e a Cordália à volta do fogão de lenha, nos preparativos da consoada. O cheirinho a canela com açúcar das rabanadas, das filhós, da sopa-seca, da aletria. A travessa do bacalhau com couve-troncha a fumegar. O mostra -esconde dos pinhões, no jogo do " par ou pernão". A permissão de que eu e minha irmã gozávamos, para um golinho de vinho fino.  
Mais tarde, na minha própria casa, o presépio feito com musgo da Serra das Meadas. A curiosidade de minhas filhas pelos embrulhos que iam engrossando o monte, ao canto da sala de jantar. A mesa grande, exibindo as louças apenas usadas em dias festivos, sobre toalhas alusivas. A mesa das sobremesas, onde havia um pouco de tudo o que qualquer família tradicional se oferecia naquela noite. As passas, os pinhões, as nozes, as avelãs, as frutas cristalizadas, os fritos doces e salgados, bolinhos variados, as romãs ao lado do ananás e, em lugar de honra, o tronco de Natal e o bolo-rei. A chegada dos que, de longe, vinham partilhar connosco a Festa da Família. A saudade dos ausentes. A animação de uma consoada intencionalmente prolongada pela noite adentro. A entrada do Pai Natal, com um grande saco de prendas às costas. A música de fundo que, desde manhã e durante todo o dia, até à hora em que os corpos cansados pediam um cacau quente, oferecia o ambiente místico de mais um Natal feliz.

Era para ter sido um Natal igual a tantos outros. E enquanto me dirigia ao comboio, a caminho do aconchego dos meus, relembrava, com a placidez, o desvelo, a ternura e a tolerância que a tradição impunha, alguns dos referentes que, alheada da realidade, imaginava eu pertencerem, com maior ou menor abundância, aos Natais de toda a gente.
Apressando o andar por entre o formigueiro de Santa Catarina em véspera de Natal, olhava de relance as montras aturdidas de apelos e recordava noites de emocionadas intenções de sentimentos, que desaguavam sempre na alegria, em propósitos sublimes, alguns pudores e, cada vez mais, numa doce nostalgia.
Clássicos musicais enchiam os ares. A gente buliçosa daquele Porto redobrava de irrequietude, na azáfama das últimas compras dos últimos dias. Arcos de luz e cor coroavam de festa o sorriso dos rostos do casario e a euforia dos rostos da gente. Cada porta deixava adivinhar um ambiente de especialíssima brandura, cada janela uma luminosidade coada pela devoção dos pinheirinhos, ao lado de ícones românticos a perpetuarem a linguagem da ternura.
Tudo em consonância com a época, tudo muito igual a sempre, muito certo e perfeito... até ao momento em que, ao cabo daquela rua, me preparava para descer à estação de S. Bento. Num repente, toda a paisagem emudeceu.

Nem o pasmo das lágrimas assustadas ou a impotência das lágrimas mudas, nem a amargura salgada das lágrimas inconformadas ou o grito alucinante das lágrimas em revolta nos rostos que a surpresa daquele instante metamorfoseasse até ao extremo da dor, conseguiriam traduzir o tormento da cena que, escandalosamente objectiva, se oferecia ao olhar de quem passava.

Num quadro de martírio emoldurado por uma auréola de nevoeiro, na pedra fria do chão despojado do passeio, na mais injusta e inquietante orfandade de amor, um bebé deitado, inocentemente alheio ao mundo, aparentemente alheio à vida, perturbadoramente alheio ao frio cortante de Dezembro e à chuva miudinha que entretanto começara a cair.
Metros abaixo, outro bebé tão quedo, mudo e alheio como o primeiro. E outro. E mais outro. Estariam adormecidos ou anestesiados?

Em vão procurei com o olhar a figura de um pai, de uma mãe, de um qualquer farrapo humano que, nas fímbrias de uma sociedade em desamor, no avesso de uma sorte em desesperança ou na transgressão de uma maldade proscrita, justificasse a imolação daqueles inocentes.
Em vão procurei uma autoridade que repusesse a dignidade e o decoro naquela rua, que protegesse aquelas crianças indefesas, que castigasse aquele crime revoltante.
Em vão procurei os que se tinham cobardemente escondido. Por única companhia visível, a frigidez de uma caixa de cartão com algumas moedas.

Com os olhos da alma estendidos pela descida daquele passeio, presa ao pensamento dos horizontes mais escuros, presa na interrogação de mil porquês, senti o gelo do sangue que parou nas veias da cidade.
Escondida dentro de mim, desviei os passos atónitos e cambaleantes por outro caminho e deixei cair o corpo no assento de uma viagem de comboio que nunca antes me tinha sabido a fuga.

Alguns dias depois, em casa, aninhada a um canto do sofá, ainda no desconforto daquelas imagens, lia, num jornal diário da cidade do Porto, o grito de revolta de alguém, numa denúncia que, aturdida e atormentada, não tivera eu a coragem de fazer.

Tinha passado o Natal de toda a gente. O daquelas vítimas inocentes e frágeis que não sei se sobreviveram ao drama. O daqueles pais que não quero, porque não sei, julgar. O dos derrotados e o dos triunfantes da vida.
O meu também. Sem sorrisos condescendentes, sem abraços tolerantes, sem gestos solidários. Porque, exigente no plural da minha mágoa, acabei por estragar a Festa da Família.

Hoje, marcada para sempre pela visão daquela manhã, volvidos já uns bons vinte anos,reencontro os mesmos dramas. E vasculhando nos escombros do que foi a poesia de Natais sem retorno, encontro uma difusa auréola de nevoeiro, a emoldurar um   quadro onde se lê a palavra SAUDADE.

Aurora Simões de Matos

Colectânea " NATAL RENASCIDO" - 2006
Colectânea " LUGARES E PALAVRAS DE NATAL" - 2014