sábado, 30 de abril de 2016

DIA DA MÃE --- POEMA DE AURORA SIMÕES DE MATOS

MÃE - SAUDADE




GLÓRIA DUARTE PINTO

(13/ 07/ 1919 - 12/ 06/ 2004)

Na sua voz
havia sempre um sorriso de luxo
verdade que sabia contar como ninguém
Era um sorriso até depois da partida
como livro espalhado pelo tempo
Falar sem palavras
uma missão de infinda ternura
seus dias
no voo das pombas de asas já gastas
E sorria, sorria sempre, sem fadiga na voz
e no olhar, esbatido embora
Passeava memórias pela casa
os passos mornos
sem pressa nem alvoroço


Naqueles dedos
havia sempre um gesto de luxo
verdade que sabia oferecer como ninguém
Era um gesto de afago doce
capaz de redimir todas as culpas
como uma bênção que se espera
ou um perdão
Passeava lembranças pela casa
encantos - desencantos de heroína
na lenda onde há muito se perdera


No seu olhar
havia sempre uma intenção de luxo
verdade que sabia sentir como ninguém
Era um olhar de afectos silenciosos
emoldurados de matiz suave
colhidos e guardados com amor
seus dias
no rasto de uma vida de passos já gastos
E sorria, sorria sempre
sem consentir cansaço
naquele timbre de voz, sofrida embora


Passeava saudades pela casa
tantas... que por força de as sentir
nelas se transformou e nos deixou
E agora, para sempre, com verdade
em nosso coração é MÃE - SAUDADE...


Aurora Simões de Matos



  HORTÊNSIAS  ...  AS  SUAS  FLORES  PREFERIDAS


sábado, 16 de abril de 2016

WILLIAM SHAKESPEARE - UM ORGASMO POÉTICO DE CRIATIVIDADE, COM CONSCIÊNCIA SOCIAL - TEXTO DE ÂNGELO FELIZ, PARA A TERTÚLIA " ARTES E LETRAS NO HOTEL LAMEGO"



WILLIAM  SHAKESPEARE
"BARDO  DE  AVON"
(Abril 1564 - Abril 1616)


UM ORGASMO POÉTICO
DE CRIATIVIDADE
  COM CONSCIÊNCIA  SOCIALL



Texto de Ângelo Feliz, para a sua  intervenção na 
TERTÚLIA  ARTES  E  LETRAS  NO  HOTEL  LAMEGO,
 Com o tema 
WILLIAM SHAKESPEARE, 400 ANOS ENTRE NÓS
- 09/ 04/ 2016 -




CRIATIVIDADE


A Inglaterra, no séc. XVI (1564 – 1616), teve o privilégio de trazer ao mundo o poeta de todos os poetas e o maior autor dramático de todos os tempos que, a seguir a Deus, foi quem mais criou no mundo.

As obras de Shakespeare, nestes 400 anos, foram adaptadas para 37 filmes. Destaque para as seguintes obras: Hamlet, Macbeth, Romeu e Julieta, Rei Lear, Otelo, Antônio e Cleópatra.

Em apenas seis linhas, Shakespeare consegue reflectir no espelho a linguagem toda a cosmologia, anjos, macacos, homens, o teatro, o riso,o céu e a terra, para nos mostrar a arrogância a que conduz a posse de um cargo. Isto é magia.




CONSCIÊNCIA SOCIAL


Os investigadores da Biblioteca Britânica identificaram um Manuscrito como sendo de Shakespeare. Segundo estes investigadores, a peça sobre a vida do chanceler do rei Henrique VIII, Sir Thomas More, teria sido escrita por Anthony Munday entre 1596 e 1601. Com base na "caligrafia, ortografia, vocabulário e imagens e ideias expressas", três páginas do manuscrito foram identificadas como sendo de Shakespeare — justamente uma cena em que o personagem principal apela aos ingleses para que sejam solidários com os refugiados.


No discurso, More dirige-se à multidão que quer matar os "estrangeiros", pedindo-lhes para imaginar o que aconteceria se eles fossem punidos pelos seus atos com o exílio: nesse caso, longe de sua terra, os próprios ingleses tornar-se-iam "estrangeiros".


Para os investigadores da biblioteca, não é possível provar de forma irrefutável que as palavras na boca de More tenham de fato sido escritas por Shakespeare. Eles ressaltam, porém, que o autor mostrou ter um "olhar aguçado sobre as complicadas relações entre minorias e maiorias étnicas" noutras peças, como "Otelo" e "O mercador de Veneza".


Na época em que a cena foi escrita, a Inglaterra vivia um momento de tensão, com a migração de franceses huguenotes que fugiam da perseguição religiosa no seu país. Em 1572, milhares de protestantes foram mortos por católicos em Paris, episódio que ficou conhecido como o massacre da noite de São Bartolomeu. Os refugiados sírios, iraquianos e afegãos, do séc XXI, são como uma réplica da migração de franceses huguenotes do séc. XVI. A Inglaterra e a Europa, neste domínio, continuam com a visão do séc. XVI.

 Por tudo isso, aplaude-se a oportunidade da iniciativa que decorreu esta semana em 600 escolas do País:
 E se fosse eu? Fazer a mochila e partir?


O manuscrito da Biblioteca Britânica mostra também as notas de Edmund Tilney, o censor do reino. Para poder ser encenado, o texto deveria suprimir as cenas que mostram a insurreição, bem como suas causas, iniciando com um "breve relato" dos acontecimentos.


AGRADECIMENTO À RTP2


Por último, no âmbito do serviço público, também é de aplaudir a RTP2, porque, no ano em que se comemoram os 400 anos da morte do vulto maior do teatro mundial, a RTP2 , durante o mês de Abril, dedica os sábados à noite, a William Shakespeare, com a exibição de quatro peças do autor com produção do Globe Theatre: "Romeu e Julieta", "A Tempestade", "Tanto barulho para nada" e "Noite de Reis" e ainda o documentário "Shakespeare: Last Will Testament".



FONTES:

-  Dietrich Schwanitz, Da Literatura Europeia à História da Arte;
 - Nota à imprensa da Biblioteca Britânica;
-  Shakespeare - 400 Anos de Espanto - Artes e Cultura, na RTP2.



                                                                              *** Ângelo Feliz




Ângelo Feliz na leitura da sua intervenção

*****




SHAKESPEARE´S GLOBE THEATRE - LONDON



Cena de uma das adaptações ao cinema do livro 
" ROMEU E JULIETA"

*****



A TEMPESTADE: A MAGIA DE MIRREN


*********














 "TERTÚLIA  ARTES E LETRAS NO HOTEL LAMEGO "  ---  a funcionar na Biblioteca
Fundada em 2012  
com dinamização e coordenação mensal  de Aurora Simões de Matos...




ENTRADA  LIVRE!


Aurora Simões de Matos

sábado, 26 de março de 2016

SEXTA FEIRA SANTA... NO CORAÇÃO DOS HOMENS!


A NATUREZA  TEM  DESTAS  COISAS,

                         O HOMEM TAMBÉM...





                     SEXTA FEIRA SANTA
  
A  Natureza tem destas coisas... o Homem também!


Na dor do tempo crucificado de dores, abre-se a mão e o coração para apanhar a última réstia de calor benfazejo. Que afaste a nostalgia, a desgraça e a revolta de quantas Cruzes foram plantadas no Calvário destes dias.
E nem um ténue fio de luz acontece. Sequer uma brisa a recordar o ciclo da vida. A lembrar que à tristeza sucede a bonança. Que o tumulto faz adivinhar a mansidão das horas. Que a esperança ainda faz vibrar o mundo.
Nem um arrepio de corpo que faça estremecer o luto da alma. Ou mesmo o breve trovão a deixar o último sinal de voz.
Apenas a indecisão das horas, a apreensão pela dúvida, o vazio do pano a rasgar na carne o significado da morte... o tempo à espera de uma redenção.
A MÃE AFLITA PELO DESTINO DE SEU FILHO !!!
Até que a próxima bomba humana estilhace vidas e alimente alaridos... apenas os dias atónitos, parados, esquecidos, neste tempo crucificado de dores.
A Natureza tem destas coisas... o Homem também...


                                                       Aurora Simões de Matos



sexta-feira, 25 de março de 2016

Aurora Simões de Matos - Poema em audio




PORQUE  TODOS OS DIAS DEVEM SER "DIA DA POESIA"... A MINHA  HOMENAGEM  A  TODOS  OS  POETAS


Aurora Simões de Matos

quinta-feira, 24 de março de 2016

A PÁSCOA DOS EMIGRANTES - POESIA



BEM VINDOS, EMIGRANTES  DO MONTEMURO E BEIRA-PAIVA





~~~~~ VIDAS EM REGRESSO ~~~~~


Deixaram um dia a musicalidade das fontes
e o trilho de caminhos desabridos

com a saudade

que a brisa de seus sonhos tentou em vão esquecer

Encheram cidades cinzentas de estranhas falas rezadas
e ajudaram a poluir horizontes apertados
onde não cabiam sequer as suas crenças
( ... )
Aprenderam linguagens sem estilo
e ofereceram suor e lágrimas a caminhos que não eram os seus

Espelharam miragens encantatórias
em cada regresso às origens agrestes de seus pais e avós

Elegeram a Páscoa como a primeira das três vezes
em que no ano haveriam de vencer todas as distâncias

Reabrem as varandas das encostas
e saboreiam apetites de aromas inesquecíveis
Emolduram de perfume a rosmaninho e alecrim
portas que se oferecem à VISITA DO SENHOR
e a rituais de romântica ancestralidade

Trazem dias de FESTA e emprestam pinceladas coloridas
ao xisto negro que os viu nascer... ao granito duro que os viu partir


*** Aurora Simões de Matos









CHEGOU A PRIMAVERA


CHEGOU  A  PRIMAVERA








Bem a tempo de oferecer-nos o chão enfeitado de todas as cores... o beijo entre aves de todos os céus... a visita de Obama a Cuba, selando o tão esperado apoio a um Povo que o esperava há tanto!
E eu, pasmada de buliçosa euforia, ofereço-vos o meu poema...
VIVA A PRIMAVERA de todas as previsibilidades, com salpicos de imprevisto a colorir-lhe a cintura!


***************



Já o chão se enfeitou de presentes...
Se souberes escutar
ouvirás o arbusto a gargalhar de verde
o brilho das estrelas coado na limpidez das águas
Tal qual a criança
que frágil se abalança entre passos de gozo
aprende a esquecer
a velha condição da natureza morta
e parte à descoberta de alianças de vida
Já o ar se encheu de secretos apelos
Se souberes escutar
ouvirás na lonjura a dimensão de um sonho
segredo guardado a desabafar
o zumbido urgente de uma esperança nova
À boca do peito encosta as mãos em cruz
e esculpe o modelo do amor que renasce

                                                            Aurora Simões de Matos