segunda-feira, 20 de março de 2017
Rio de Prata - Poema de Aurora Simões de Matos, musicado e cantado por Gervásio Pina
Porque nasci à beira-Paiva e dele herdei este jeito de ser...
Aurora Simões de Matos
sexta-feira, 17 de março de 2017
Tertúlia Literária no Clube de Lamego - Organização e Coordenação de Aurora Simões de Matos
( Texto de Humberto Costa)
Nota da Tertúlia:
Faltou mencionar a "Confraria do Bolo Podre e Gastronomia do Montemuro", que também esteve presente e cujo Grão- Mestre, o escritor Adérito Ferreira, fez uma belíssima intervenção. E que, no fim, nos brindou a todos com o saboroso bolo podre de Castro Daire e ainda ofereceu uma caixa para cada um dos intervenientes na tertúlia levar para casa.
Como faltou mencionar a participação da " Confraria da Castanha dos Soutos da Lapa" - Sernancelhe, que enviou uma lindíssima mensagem, carregada de significado gastronómico, como é timbre do seu responsável máximo, Dr. Alberto Correia.
Aurora Simões de Matos
quarta-feira, 15 de março de 2017
" A FLOR", de Almada Negreiros - Desconstrução e Construção do texto na "Tertúlia Artes e Letras de Lamego"
( Organização e Coordenação de Aurora Simões de Matos )
A partir do texto " A Flor", de Almada Negreiros
Ana Borges lê o texto "A Flor", de Almada Negreiros
Pede-se a uma criança: Desenha uma flor! Dá-se-lhe papel e lápis. A criança vai sentar-se no outro canto da sala onde não há mais ninguém. Passado algum tempo o papel está cheio de linhas. Umas numa direcção, outras noutras; umas mais carregadas, outras mais leves; umas mais fáceis, outras mais custosas. A criança quis tanta força em certas linhas que o papel quase não resistiu. Outras eram tão delicadas que apenas o peso do lápis já era demais. Depois a criança vem mostrar essas linhas às pessoas: Uma flor! As pessoas não acham parecidas estas linhas com as de uma flor! Contudo a palavra flor andou por dentro da criança, da cabeça para o coração e do coração para a cabeça, à procura das linhas com que se faz uma flor, e a criança pôs no papel algumas dessas linhas, ou todas. Talvez as tivesse posto fora dos seus lugares, mas, são aquelas as linhas com que Deus faz uma flor!
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Trabalho da Educadora Ricardina Maia, em registos foto--gráficos, com alunos do Centro Escolar de Lamego Sudeste, em actividade na Biblioteca
FUNDAMENTAÇÃO DO PROJECTO "A Flor" de Almada Negreiros
Acerca do texto "A Flor" - "entrelinhas e riscos - alma da flor"
Parece-me pertinente começar por citar João Sousa quando refere o escritor, o ilustrador, em ALMADA NEGREIROS OU “A LÚCIDA INGENUIDADE”.
«As linhas trocadas com que Almada Negreiros tece o seu texto poético – “umas numa direcção, outras noutras; umas mais carregadas, outras mais leves”, tal como as linhas daquela criança a quem pediram para desenhar uma flor – constituem uma das grandes marcas de contrastaria do seu bem vincado recorte e da sua originalidade.
Linhas trocadas e por vezes contraditórias
Linhas trocadas e por vezes tão invulgarmente díspares:
Feitas de exacerbação ou serenidade, feitas cogitação grave ou graciosa alusão, feitas arrojo expressivo ou toque de mágica singeleza, transpostas em contundente sarcasmo ou em traços de íntima, e até comovente, confidencialidade.
São linhas que o admirável pintor (e desenhador) em parte omitia ou sintetizava, geometrizando.
São linhas que o poeta – porventura de criatividade mais liberta, mais existencialmente dúctil e autêntica, mais socialmente des-condicionada, mais desinibida por uma “linguagem sem chave gramatical” – não poderia, nem quereria, escapar. »
«A Invenção do Dia Claro obra considerada, pelo próprio, ser o seu - “Reaver a inocência” -, vai decisivamente investir numa poética que postula a recuperação de inocência perdida, o nascer-de-novo, o regresso à pureza e à espontaneidade do menino que ele , tão adultamente lúcido no entendimento de si mesmo, procurou nunca deixar de ser.
A reinvenção dessa inocência, desse dia claro a emergir dum reino de obscuridades, documenta-se, na composição: “A Flor” »
«Um texto de majestosa claridade estilística, onde se reflecte, por um lado, uma óbvia adesão à criatividade efectivamente inocente – não contaminada pelo conhecer, pela acumulação cultural e, muito menos, pelas conspurcações da “esperteza saloia” -, e onde se perfila, por outro, a consequente valorização do não-saber, a positividade de uma bem entendida “ignorância”. Um não-saber, uma ignorância que em termos de realização estética, longe de significar inconsciência e ausência de cultura, quer dizer capacidade de, no instante da aventura criadora, do fulgor inventivo, se ser capaz de superar o peso e os constrangimentos dessa cultura, ser capaz de construir um novo espaço de liberdade. »
O primeiro painel remete-nos para uma leitura de “(des)construção” do texto, através de registos foto/gráficos, facilitando-nos o entendimento de que é pela alquimia da palavra que a obra literária de Almada Negreiros está tão interligada à sua obra de artista plástico.
No texto poético “A Flor” ambas as artes, a plástica e a literária, estão tão estreitamente ligadas – linhas carregadas, leves – que traduzem o traço e a ideia de uma flor que a criança concebe na sua ingenuidade e vai construindo a seu modo.
Almada, através de um texto aparentemente singelo, consegue mostrar o seu processo de criação artística, tão linear que parece usar apenas traços elementares, tal como os representados pela criança.
No segundo painel, entre a palavra e o desenho, a partir do ponto, da linha, do risco, pela mão da criança somos levados a descobrir o aparentemente simples, mas complexo universo de Almada, fazendo surgir, só como ela sabe, desenhos lineares ou distorcidos…, que nos remetem para os princípios básicos da linguagem plástica, tão bem presentes nas ilustrações de Almada Negreiros.
Da forma mais simples e natural, a partir do texto, permiti-me facilitar a passagem da palavra ao desenho:
Pedindo a uma criança: “Desenha uma flor!”
Dando-lhe papel e lápis…
Foram o ponto de partida para a criação de desenhos em suportes tradicionais a que posteriormente se juntaram diversos materiais riscadores.
Com esta mostra, deixo o desafio: Sermos capazes de transportar o nosso olhar atento para o registo gráfico de cada criança, agora e aqui exposto, tentar olhar “entre as linhas” e tentar “correr o risco” de saber ler nas “entrelinhas e riscos” porque só assim, como as crianças, vamos poder sentir a essência de cada flor – a “alma da flor”.
Não poderia terminar sem prestar o meu agradecimento à “Professora Aurora Simões” e ao “Professor Victor Rebelo”, pelo voto de confiança ao entregarem-me a concepção desta actividade que, acima de tudo, a entendi como mais uma oportunidade de enriquecer o trabalho que tenho vindo a desenvolver, com as crianças, como educadora.
Um bem hajam, a todos os presentes!
Ricardina Maia
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O mesmo tema, mas numa abordagem literária, pela Poetisa e Educadora Cristina Correia
O mesmo tema, mas numa abordagem literária, pela Poetisa e Educadora Cristina Correia
A tertuliana Jacira Galhardo lê o texto de Cristina Correia (ausente)
Pensamento, palavra e desenho… à luz de uma criança!
Pela folha de papel caminha uma linha azul, preta, verde ou violeta, com um sonho dentro de mim… Sou céu, sou nuvem, sou terra, sou flor, sou jasmim. Viajo para um mundo sensorial em que ninguém me impedirá de realizar a minha fantasia. Sou pensamento, sou palavra, sou um desenho universal, tudo gravado na memória com alegria. Descubro que os movimentos podem deixar as minhas marcas. De forma livre e consciente, só eu sei que o meu desenho é só teu, Anjo luz! Sinto, perceciono e rabisco. Esboço, registo e risco. Crio e traço curvas, ondas, círculos e linhas. Organizo padrões, às vezes repito modelos gráficos para representar. Modifico-os, acrescento detalhes e cresço no céu e nas estrelinhas. O meu desenho é versátil, é artístico é de encantar! Se houver alguém que não goste, não interprete, deixe ficar. Inicio um jogo, transponho emoções. A minha palavra é um código, o meu pensamento uma metáfora e o meu desenho é a metáfora da metáfora… até à Rosa-dos-ventos! É apenas um engenho de a ideia permanecer. A minha flor é um rebento a nascer! Espalho sementes de fé e de esperança. É a minha expressão, a minha identidade. Na ternura de um abraço de paz, comunico com o mundo a liberdade… a certeza de um gesto amigo, que dá voz à minha luz. E nas memórias secretas da criança morou sempre aquela flor de um dia Ser.
Cristina Correia
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Algumas imagens desta Tertúlia, com o Tema: "O DESPERTAR DOS MÁGICOS - a arte, a cultura e as crianças"
Dr. José Pessoa
O pequeno David, da Escola de Música de Lamego
O pequeno Pedro, da Escola de Música de Lamego
Dr. Manuel Vaz
Dra. Mónica Lima
Dr. César Carvalho
Prof. Élia Morais
Dr. Fernando Marado
João Avelino
Aurora Simões de Matos
terça-feira, 14 de março de 2017
Apenas um verso - Poema de Aurora Simões de Matos
EM JEITO DE TESTAMENTO
A todos os que um dia me leram, me sorriram e me recordaram
Talvez que, daqui a muitos anos, a partir de uma fraga do Montemuro ou de um seixo do Paiva, saiam pastores solitários, em busca do meu verso ou do meu nome.
É esta a herança que deixo à minha terra. Peço que a aceitem. Não tenho nada mais caro...
Aurora Simões de Matos
sexta-feira, 10 de março de 2017
terça-feira, 28 de fevereiro de 2017
MÁSCARAS E MASCARILHAS - CARNAVAL
~~~~~~~~~ SÓ NÃO ENGANEI A IDADE ~~~~~~~~~~
Em Carnaval de incertezas
todo ele feito de surpresas
todo ele feito de surpresas
só se mascara quem quer...
Por não encontrar melhor
coloquei a linda flor
em meu rosto de mulher
***
Sem segredo de maior
mesmo ao lado da flor
esta face já não brilha...
Depois de muito pensar
resolvi por isso armar
em meu rosto a mascarilha
***
E assim no baile de roda
virei menina da moda
e enganei toda a gente...
Só não enganei a idade
que essa em boa verdade
não se engana facilmente!!!
* Aurora Simões de Matos
domingo, 19 de fevereiro de 2017
AUTORES MOÇAMBICANOS - "ODISSEIA DA ALMA", DE MORGADO MBALATE
ODISSEIA DA ALMA - BREVE ANÁLISE
POR AURORA SIMÕES DE MATOS
Autor do Livro - Morgado Mbalate
Capa e imagens - João Timane
POR AURORA SIMÕES DE MATOS
Autor do Livro - Morgado Mbalate
Capa e imagens - João Timane
Breve Comentário à Obra Poética de Morgado Mbalate
Escrita de tonalidades fortes, o (im)previsível, em cada verso de Morgado Mbalate, jovem autor moçambicano.
Poesia de impactos arrebatadores ou de subtilezas semi-diluídas, memórias de ecos singulares. Sempre. Do passado e do presente. De um futuro, onde a penumbra se rasga em claridades de intenção quase sacral.
Sábio, o poeta. Numa juventude que respira legítimas ambições desocultadas, onde o cúmplice é agente de partilha. Numa inocência que se transfigura em minúsculas reflexões, onde o religioso é sinónimo e sujeito de religação. Numa disponibilidade que se expõe sem reservas, onde a sensibilidade criativa é inamovível referência de liberdade.
Manoel de Barros, um dos mais conhecidos e aclamados poetas brasileiros dos meios literários contemporâneos, será a sua mais forte influência.
A natureza e as coisas simples do quotidiano, fonte de inspiração primordial. O rio sujo e mestiço, sua poesia de eleição.Talvez que do mestre tenha herdado certo fascínio recorrente pelas palavras "pássaro", "passarinho", "ave", "garça", "gorjeio", "árvore" ou "terra", entre outras de significado tão abrangente quanto a sua especificidade. Num estilo que o define, enquanto jovem escritor, particularizando-lhe o pensamento, a ideia e a mensagem.
Sendo que a poesia é também arte, o impulso da criatividade emerge em Morgado Mbalate, num fluir de sensações em jogo de espelhos. Com a limpidez de um espírito poético de eleição, materializado em textos reveladores de afectos perenes. Sugestivas evocações, em belíssimas imagens, na sua expressão mais pura. Metáforas sinestésicas, na combinação perfeita de impressões sensoriais em profusão, com os sentimentos do poeta. A personificação, a prosopopeia, o animismo, a metonímia, em ritmos interiores geradores de uma dinâmica lírica, merecedora de toda a atenção.
Ler devagar a Obra deste autor é entrar na grande festa dos sentidos que os tons intensos de África nos sugerem. As cores, os sons, os cheiros, os sabores, maciezas aveludadas e rugosas asperezas. A pujança de uma natureza sempre viva, em harmonias que nos envolvem e acrescentam.
Os sonhos de uma moçambicanidade adulta, com coração de criança. A realidade de mãos dadas com a lenda. O preconceito de mãos dadas com a (in)diferença. A vida dura das gentes, plasmada em alegrias e esperanças redentoras.
Em toda a sua escrita, Morgado Mbalate por inteiro. Mesmo quando afirma: « Eu não sou uma semente de luz...», o poeta subscreve a importância da poesia no crescimento dos povos.
Aurora Simões de Matos
TEXTO E FOTOS DE AURORA SIMÕES DE MATOS
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