terça-feira, 2 de maio de 2017

Poemas de Aurora Simões de Matos - "DOMÍNIO" e "RESISTÊNCIA"


~~~ DOMÍNIO  ~~~

( do livro O amor é sempre inocente - 2017)
em 2ª edição




«Trago fechadas na minha mão pálida e dominante as rédeas luzentes dum corcel gigante»

Por meu bem e por meu mal sou o farol da sorte que me
 alumia os caminhos. Plena de vastidão na coerência do sonho.
 Fascínio quase navio de guerra em que a loucura armada impõe
 distância. Perscruto o ar o vento e os labirintos da cidade. Onde
 se escondem forças desconhecidas que habitam mundos sem
rosto. Gesto secreto em busca do que se perdeu no espaço oculto
 da noite. Apenas por saber que o incauto é mais sujeito à voz cerrada 
das brumas. Palmo a palmo invento o sentido de novas rotas que me
 animam a emoção.
Invejo o fragor do mar perante a rocha que lhe detém os passos.E o so

l que sucumbe à languidez da noite.Por meu bem e por meu mal desenho
 o destino dos passos com que vou. E também o verso em que me deito.





                                       ~~~~     RESISTÊNCIA  ~~~~

Sabemos que em tempos de chumbo não se limpam
 pólvoras. Nem memórias. Há guerras e guerras. E gritos
 de aviso febril ardendo de insónia. Que os sonhos se vão
 para morrer. E renascerem ali ao lado. O mundo desfigurado
 nunca gera correntes de esperança. Na madrugada acordaram
 chuvas insanas e ventanias que arrancaram ao arvoredo as 
folhas mais viçosas Castigo absurdo aos renascidos. Eu amo a 
tempestade em rajadas que fustigam a pele. E o vulcão em fogo
 incandescendo o rio. Amo o trovão riscando o céu depois do
 ribombar sinistro. E a vaga alterosa que tudo arrasta no fragor. 
Porque sempre que o medo me gela as veias a carne me endurece
 e dobra a resistência.






                                                                               Aurora Simões de Matos

sexta-feira, 21 de abril de 2017

Livro de Aurora Simões de Matos integrado nas Comemorações do 25 de Abril

O Livro " O amor é sempre inocente"

integrado nas Comemorações do 25 de Abril, em duas cidades diferentes
Lamego e S. Pedro do Sul














Aurora Simões de Matos



sábado, 15 de abril de 2017

Aurora Simões de Matos e Isabel Silvestre

PRÉMIO DE REDE MÍDIA INTERNACIONAL





Com a lenda viva da Música Tradicional Portuguesa, minha amiga de há muitos anos, Isabel Silvestre, no dia 28/ 03/ 2017, minutos antes da cerimónia pública de âmbito internacional organizada este ano em Portugal pelo " JORNAL SEM FRONTEIRAS" com sede no Brasil, e que, entre outros nomes da cultura, nos premiou e nos encheu de orgulho. Porque cada uma de nós, ( uma através da escrita e outra através da música), levou a sua região natal além fronteiras.

Aurora Simões de Matos








quarta-feira, 12 de abril de 2017

A Paixão de Cristo e a surdez da Europa





~~ A PAIXÃO DE CRISTO e a SURDEZ DA EUROPA ~~








A PAIXÃO DE CRISTO e a SURDEZ DA EUROPA

Seja a Paixão do Senhor vista e entendida sob o ponto de vista religioso, ou sob o ponto de vista histórico, ninguém fica indiferente ao sofrimento daquele Homem, perante o olhar desesperado de Sua Mãe!

Ainda recordo com emoção a Procissão do ENCONTRO que, sendo eu criança, se fazia na minha terra. Por um caminho, vinha o andor, com Cristo carregando a Cruz. Por outro caminho, vinha o andor de Maria, sua Mãe. E o senhor cónego Isidro Faria, meu professor de Português, no momento do encontro de ambos, clamava a plenos pulmões:

- « Ó Mãe, olha o teu Filho inocente! Ó Mãe, olha o que os homens Lhe fizeram!»

Hoje, perante a fuga desesperada de tantas crianças sem pão, sem lar e sem amor que para trás deixam a família, os amigos e o seu chão natal em guerra, e não encontram senão altos muros e fronteiras fechadas, apetece gritar também:

- Ó Mãe, olha os Teus filhos inocentes! Ó Mãe, olha o que os homens lhes fizeram! Abre o coração desta Europa egoísta que, com ares de desentendida, assobia para o lado, como se nada se passasse!

Aurora Simões de Matos





Fotos da net

quarta-feira, 5 de abril de 2017

PÁSCOA DOS EMIGRANTES



Vidas em Regresso





A PÁSCOA DOS EMIGRANTES

Deixaram um dia
a musicalidade das fontes
e o trilho de caminhos desabridos
com a saudade
que a brisa dos seus sonhos tentou em vão esconder

Encheram cidades cinzentas de estranhas falas rezadas
e ajudaram a poluir horizontes apertados
onde não cabia sequer a sua crença

Aprenderam linguagens sem estilo
e ofereceram suor e lágrimas
a caminhos que não eram os seus


Espelharam miragens encantatórias
em cada regresso
às origens agrestes de seus pais e avós

Elegeram a PÁSCOA
como a primeira das três vezes
em que no ano haveriam de vencer todas as distâncias
adentrando a estação maravilhosa


Reabrem as varandas das encostas
saboreiam aromas púberes
adoçados na masseira das lembranças
emolduram de perfume a rosmaninho e alecrim
portas que se oferecem à Visita do Senhor
e a rituais de romântica ancestralidade

Trazem dias de festa
e emprestam pinceladas coloridas 
ao xisto negro que os viu nascer...
ao granito duro que os viu partir...


                                             Aurora Simões de Matos



segunda-feira, 20 de março de 2017

Rio de Prata - Poema de Aurora Simões de Matos, musicado e cantado por Gervásio Pina




Porque nasci à beira-Paiva e dele herdei este jeito de ser...

                                                                             Aurora Simões de Matos






sexta-feira, 17 de março de 2017

Tertúlia Literária no Clube de Lamego - Organização e Coordenação de Aurora Simões de Matos



( Texto de Humberto Costa)


Nota da Tertúlia:

Faltou mencionar a "Confraria do Bolo Podre e Gastronomia do Montemuro", que também esteve presente e cujo Grão- Mestre, o escritor Adérito Ferreira, fez uma belíssima intervenção. E que, no fim, nos brindou a todos com o saboroso bolo podre de Castro Daire e ainda ofereceu uma caixa para cada um dos intervenientes na tertúlia levar para casa. 
Como faltou mencionar a participação da " Confraria da Castanha dos Soutos da Lapa" - Sernancelhe, que enviou uma lindíssima mensagem, carregada de significado gastronómico, como é timbre do seu responsável máximo, Dr. Alberto Correia.

Aurora Simões de Matos