Museu Maria da Fontinha
Um Museu de Sentimentos


A
Casa-Museu, agora Museu Maria da Fontinha, situa-se em Além- do-
Rio, Gafanhão, Castro Daire e foi fundada por Arménio Vasconcelos e
inaugurada a 5 de Agosto de 1984, pelo então Presidente da
República, General Ramalho Eanes, com a presença do Ministro da
Cultura, Embaixadores do Brasil, da Espanha e centenas de outras
individualidades.
Tem
hoje uma colecção de mais de 4500 peças, distribuídas pelos
campos da pintura, escultura, etnografia, alfaias agrícolas e
automóveis antigos e clássicos.
Em
exposição e em reserva, contam-se alguns dos mais insignes Artistas
portugueses, brasileiros, espanhóis, argentinos, franceses,
malawianos, alemães, italianos, etc.
Ao
longo dos seus 25 anos de existência, que comemorou no dia 8 de
Agosto de 2009, com a passagem a Museu, tem recebido variadíssimas
condecorações e galardões de entidades brasileiras e portuguesas
que exercem acções no campo da cultura, dezenas de honrarias, de
onde sobressai uma Moção de Congratulação e Louvor da Câmara
Municipal do Rio de Janeiro.
Ali
se localiza o núcleo central do recém - criado «Museu Territorial
do Vale da Paiva e Serras», que engloba cerca de 50 pólos culturais
e de interesse, distribuídos pelos concelhos de Vila Nova de Paiva,
Castro Daire, S. Pedro do Sul e Arouca, em espaços ligados à Paiva
e às serras que a beijam de onde se destacam patrimónios
paisagísticos, artísticos, arquitectónicos, históricos,
religiosos, geológicos, arqueológicos, musicais, etnográficos e
gastronómicos.
Pela importância, riqueza e
diversidade dos« patrimónios tangíveis e intangíveis »desta
região, a musealização do Vale da Paiva e Serras representará um
grande passo para o reconhecimento e valorização da sua identidade,
visando um maior desenvolvimento pelo turismo sustentável e a
consequente melhoria nas condições de vida das populações.
O
Museu foi fundado por Arménio Vasconcelos, em homenagem a sua avó,
Maria do Carmo Rosário, a Maria da Fontinha, que em Além- do- Rio
viveu cerca de 50 anos e que ali foi sepultada, depois de trasladada
do Rio de Janeiro, onde faleceu em 1970.

No espaço envolvente ao edifício principal, podemos visitar o
Parque da Fontinha, com o Chafariz Quinhentista, relíquia de Castro
Daire; a Capela construída em 1982, no local onde Maria de Fontinha
muitas vezes rezava ao toque das Trindades e de que é Orago Nossa
Senhora do Carmo, que a mesma venerava; o Auditório Memorial José
Vasconcelos, salão polivalente todo construído em xisto e carvalho,
materiais nobres da região, com cerca de 300 metros quadrados,
dotado de 250 cadeiras, palco e camarim, onde se realizam cerimónias,
exposições, récitas, espectáculos musicais e de teatro e onde
está sempre patente uma exposição temporária, renovada
mensalmente; o Lago dos Peixes; a Escolinha do Professor Ricoca, em
homenagem aos professores do ensino primário e decorada com
mobiliário e muitos outros objectos usados nas escolas, nas décadas
de 40 e 50 do século passado; o Quarto onde figuram dezenas de peças
de etnografia pertencentes e usadas pela patrona do Museu; o Mausoléu
de Maria da Fontinha, ricamente contruído em granito e onde, num
sarcófago artístico, rodeado de várias peças assinadas por
Artistas consagrados, se encontram os seus restos mortais, assim como
os de seu filho, genro e neto; e muitos outros espaços de grande
beleza, onde se pressente a enorme sensibilidade, a riqueza de
carácter e a vastíssima cultura de Arménio Vasconcelos, que ali
nasceu também.
No Auditório José Vasconcelos foi criada, no
passado dia 8 de Agosto e com a presença de altas entidades ligadas
à Administração e à Cultura de onde se destacava uma grande
embaixada do Brasil, a Academia de Letras e Artes Lusófonas- ACLAL,
com o apoio de cerca de seis centenas de membros fundadores,
residentes nos oito países da Lusofonia. Foi um momento de grande
solenidade e de grande significado, em que foi revelada a primeira
acção da nova Academia - levar o apoio ao ensino da Língua
Portuguesa à região de Margão, na longínqua Índia.
O facto de a ACLAL ter aqui a sua sede
reveste-se de grande importância para a região e enche-nos de
orgulho. Doravante, através desta Academia, a nossa terra será
certamente mencionada vezes sem conta pelos diversos «longes» da
Lusofonia e receberá a visita de grandes nomes e de grandes cargos
ligados à Cultura Portuguesa espalhada pelo Mundo.
Todas
as acções levadas a cabo pelo Museu Maria da Fontinha ficam a
dever-se ao dinamismo, ao empenho, ao saber e à capacidade de sonhar
do seu fundador e director.
Arménio dos Santos Vasconcelos nasceu em Além- do- Rio, em 1942.
Aí
passou parte da infância, na companhia de sua avó, Maria da
Fontinha, que sobre ele exerceu grande influência e a quem, até
hoje, está ligado por fortes laços de afecto.
Ainda
criança, partiu com a mãe para o Brasil, ao encontro do pai, que
para aquele país tinha emigrado. Aí viveu o resto da infância e
grande parte da juventude. Aí regressou e regressa por muitas vezes.
Aí conserva um sem - número de amigos e admiradores. Aí deixou um
nome respeitado, muito particularmente em vários domínios da
Cultura.
Não
admira, pois, que considere o Brasil como sua segunda Pátria e que
daí lhe cheguem todos os apoios afectivos.
Não
admira, pois, que o Museu Maria da Fontinha possua o maior acervo do
mundo, de artistas plásticos brasileiros, fora de território do
Brasil.
ARMÉNIO VASCONCELOS
Licenciado
em Direito pela Universidade de Coimbra, Engenheiro Técnico Agrário,
Empresário, Museólogo e Autor de vários livros, Arménio
Vasconcelos é, em primeiro lugar, um Humanista e um grande POETA.
Foi
distinguido, em 1993, com o Galardão do Município de Leiria, cidade
onde tem residência.
É Comendador
Grande - Oficial da Ordem do Mérito das Belas Artes do Brasil.
Foi-lhe atribuída
a Medalha Tiradentes, o mais alto Galardão concedido pela Assembleia
Legislativa do Rio de Janeiro e ainda a Medalha Jorge Amado, da União
Brasileira de Escritores.
Cidadão Honorário
do Município do Rio de Janeiro, Membro Honorário do Instituto
Brasileiro de Cultura Hispânica e da Academia Brasileira da
Literatura, o Fundador e Director do Museu Maria da Fontinha é ainda
Académico « Honoris Causa» da Academia Brasileira de Belas Artes e
possui muitas outras distinções que o elevam à dimensão dos
grandes vultos da Lusofonia.
Tem
dedicado grande parte da sua vida e do seu entusiasmo às causas da
Cultura e nutre um especialíssimo carinho e orgulho pelas raízes de
onde provém, instituindo prémios para estímulo dos que mais se
distinguem nos diversos aspectos culturais da sua região de origem.
O Museu Maria da Fontinha e Arménio
Vasconcelos são, com toda a justiça, símbolos maiores das
tradições de um povo que, espalhando-se pelo mundo, sempre aqui
regressa, no apego e na devoção de se sentir feliz «entre o tojo e
a giesta, nestes carreiros pisados por heróis», nestes caminhos
bordados de alecrim e rosmaninho, perdidos na Serra que se espelha em
águas onde orgulhosamente nos miramos, em elevada auto- estima, à
beira-Paiva
Aurora Simões de Matos
Do Livro "Imagens da beira-Paiva "----2010 (em 2ª edição )
Aurora Simões de Matos
Do Livro "Imagens da beira-Paiva "----2010 (em 2ª edição )