terça-feira, 30 de julho de 2013

SÃO MACÁRIO---S. PEDRO DO SUL




                 MEMÓRIAS DE UM DIA DE ROMARIA


( Por meados do século XX )


    (  Conto  )

Tal como hoje, em pleno verão, no último fim de semana de julho, os povos ao redor preparavam-se para a concorrida festa de S. Macário.
O trânsito para uma outra face da vida começava na antevéspera do grande dia, quando os do grupo, a que todos os anos se juntavam mais alguns elementos, começavam, cada um em sua casa, os preparativos para o farnel da tradição, que se queria tão farto e esmerado quanto o permitisse o desafogo de cada família.

Era preciso pôr o bacalhau de molho em água fresca da fonte, várias vezes mudada, quer se destinasse às postas para fritar, envolvidas em leve polme de ovos e farinha triga, aromatizado com a verdura da salsa, quer se destinasse aos bolos de bacalhau a que, a par da qualidade dos ingredientes, só a experiência da cozinheira poderia garantir o êxito e o elogio.
Na véspera, matava-se o frango que, depois de cortado aos bocados, temperado e acerejado na sertã, em azeite ou manteiga de porco, era acomodado no tacho de esmalte e metido no cesto, ao lado das latas forradas de papel pardo, onde se acondicionavam também a chouriça e o salpicão cozido, os fritos de bacalhau, as bogas de escabeche, as filhós polvilhadas de açúcar ou cobertas de mel.



                                                             


A toalha branca de linho corado, bordada a bainha aberta e debruada a bicos de renda, envaidecia o cabaz da merenda que, à cabeça das romeiras, assumia um dos mais fortes protagonismos da festa.


                                                                    



De madrugada, ainda o céu estrelava, desceu o grupo até ao passadoiro da Paiva, nas poldras da Nogueirinha. A água cobria as pedras, mas era a única passagem por ali perto.
-Quem for calçado, tem que se descalçar...
A maioria já o ia, por promessa de sacrifício ou por cuidados em não romper, em tão longa caminhada, os tamancos ou as alpercatas que só à entrada da romaria seriam postos nos pés, em sinal de asseio, de luxo, de afirmação social, de respeito pelo momento.



                                                          



A pequena Maria levava sapatos velhos para a viagem a pé e outros novos de verniz, para se apresentar catita no recinto dos festejos.
A mãe, ao ver a água cobrir as poldras, recomendou.
-Descalça-te para atravessar a Paiva. Não vês que molhas os sapatos?
Mas a garota, despreocupada, fez orelhas moucas e foi saltando de pedra em pedra, com o calçado nos pés.
De repente, um escorregão na maciez limosa da poldra desprendeu-lhe o sapatito que, num instante, se perdeu de vista, por entre a espuma das águas, cantando na fresca madrugada.
-E agora? - perguntou Maria, aflita.
Agora vais com um pé calçado e outro descalço, que é para não seres desobediente. E não olhes para os de verniz, que esses só os vais calçar à entrada da festa.



A cantar e a rezar, subiram à escola da Ameixiosa e seguiram pelos carreiros serranos, serpenteando o monte nos maninhos das encostas.

Já ia a manhã a meio, quando chegaram ao destino.O grupo parou, a fim de se preparar para a entrada no buliço da romaria.
Algumas mulheres viraram a saia do direito, pois o avesso da mesma lhes servia de roupa de cote e de trabalho.
Sentados a uma sombra, comeram a primeira parte do farnel, trocando entre todos petiscos e elogios.
- Não sei como é. Eu faço os bolos de bacalhau pela receita da Inês, dou-lhe as mesmas voltas, mas os dela ficam sempre melhores.
- A diferença está nas batatas, te afianço eu! - acudiu a vizinha, cheia de sabedoria.




Estão já perto da capela de S. Macário de Baixo, mesmo ao lado da gruta onde se diz que. como sacrificado eremita, viveu em oração e penitência o almocreve que um dia, encontrando na sua cama um homem deitado, roído pela dúvida quanto à fidelidade da esposa, o matou sem dó nem piedade, ignorando tratar-se do seu próprio pai.
Quando se apercebeu do que fizera, aterrorizado e arrependido, procurou no isolamento do monte o castigo e o sacrifício que lhe valeram a fama de Santo e a honra dos altares. O seu culto data já do século XIII.

Depois de uma visita à capela e à gruta, o nosso grupo sobe pela encosta, por caminho íngreme e difícil, coalhado de romeiros, de pedintes, de muitos devotos cumprindo promessas. Uns a pé, outros de joelhos e mesmo de rastos, até à capela de S. Macário de Cima.


                                                                   




É ali a ermida maior e mais antiga, protegida dos ventos e escondida dos olhares por um alto muro, construído a toda a volta. E é ali que todos assistem à Missa e ao sermão do pregador.
Cumprem as suas promessas, dão as suas esmolas em dinheiro, oferecem as suas velas e figuras de cera.

Finda a parte religiosa, dão umas voltas pelo recinto da romaria, encontram gente conhecida, fazem compras, apreciam o lançar de uma descarga de fogo e preparam-se para mais um avanço no farnel.
Pelo meio da tarde, chegam os tocadores de concertina e os cantadores de fado à desgarrada.
Estarão presentes os mais afamados das redondezas.

A Arminda do Veado, cinquentona ainda com o sangue na guelra, toma a dianteira e provoca o cantador, que acaba de se apear do cavalo:

                   Ó meu rico S. Macário
                   Mandai varrer o terreiro
                   Que vem aí o boi bravo
                   Falta vir o carniceiro



E logo ele, de língua pronta e voz afadistada:



                                                              
                                                      
                                                           Venho da vila de Braga
                                                          Governar a minha vida
                                                          Se eu sou boi tu és a vaca
                                                          Venho ver se andas saída


No meio de palmas e gargalhadas, o desafio continua até as vozes enrouquecerem de alegria, brejeirice, entusiasmo e cansaço. Alguma raiva. Algum despeito. Muita euforia. Vaidade em ser o melhor. Gozo e prazer pela admiração de quem ouve e aplaude.

Para o ano há mais. Que enquanto houver S. Macário, não faltarão romeiros nem romaria!!!


                                                     Autora: Aurora Simões de Matos







                                                     Romeiros de S. Macário

Na encosta de Nodar
que subia até Parada
muitas vezes esperei
em alta fraga sentada
ao fim de tardes distantes
de dias de calmaria
os cansados viajantes
e as canções que a voz erguia
dos romeiros viandantes.

Tinham partido a rezar
manhã cedo madrugada
em bandos de cada aldeia
a alma em fé inundada
cabaz com farnel sortido
por caminho já lendário
por atalho escondido
rumo a Santo S. Macário
 no alto da serra erguido.


 Do alto da tua serra
Vejo tudo ao derredor
E ouço vozes na Terra
Cantando-te seu louvor.                                                                     
                       


Vim de longe e vim a pé
À festa do S. Macário
Trago na alma esta fé 
Que me ajuda em eu calvário

Ó meu rico S. Macário
Que tens duas capelinhas
Numa rezei meu rosário
Noutra pus nove velinhas

Meu rico S. Macairinho
As tuas capelas são
Bem pequenas para quem 
É da serra o guardião.


                                                                                                                                  




Regressavam a cantar
depois da longa jornada
de corpo todo partido
Já bem perto de Parada
na encosta de Nodar
os realejos tocavam
 cantigas de bem amar 
Cravos de papel falavam 
da romaria sem par.


Fui pedir ao S. Macário
Que me desse bom viver
Sem doenças nem desgostos                                                                                     

Que eu lhe irei agradecer

No dia da romaria
Apanhei muito calor
Mas tudo valeu a pena
Em troca de um novo amor

A água fresca da serra 
Bebi eu em muita mina
Mas só acalmei a sede 
Em  Macário de Cima

A S. Macário de Baixo 
Cheguei já com merenda pouca
Resolvi matar a fome
Com o pão leve de Arouca


Nem o Alto de Parada
nem a Encosta de Nodar
são os mesmos daquele tempo
Tudo tem vindo a mudar
mesmo da serra o caminho
Só não muda a devoção 
do povo por seu Santinho
e o povoa corre no verão
ao Santo S. Macairinho...


         Autora: Aurora Simões de Matos                                                                      


                                         








quinta-feira, 25 de julho de 2013

LUTA DE BOIS

                
                         LUTA DE BOIS NA FEIRA DO FOJO

                                 Parada de Ester, Castro Daire



                                             



Luta de bois






vaca de raça arouquesa

          







     (Conto)

O pequeno Diogo acordou estremunhado. O avô prometera levá-lo com ele à FEIRA ANUAL DO FOJO , onde a luta de bois seria o cartaz mais atrativo do dia.
Toda a noite, os sonhos do rapaz foram visitados por corpulentos animais de chifres longos e aguçados, que impunham respeito e lhe semearam de sustos o coraçãozito ansioso.

Aquele era um tempo sem pressas nem desaforos, os horários das aulas tinham ficado para trás e, no engendrar de peripécias que haveriam de lhe preencher os dias de verão, numa idade sem limites aberta a todos os futuros, o mês de julho trazia-lhe o que de mais genuino, másculo, irreverente e mesmo agressivo, poderia apreciar na sua freguesia.
Tinha doze anos saudáveis, inteligentes e tranquilos. A vida desafogada da família em que nascera permitia-lhe crescer sem sobressaltos, com um pé nas tradições da aldeia rural de seus avós e outro no meio mais urbano, aberto a toda a modernidade, em que viviam e trabalhavam seus pais.

Diogo era um menino feliz e, nas fantasias da sua cabecinha, tinha plantado um sonho que o enchia de orgulho. Na televisão, tinha assistido com o pai a uma série em que os protagonistas, nas barras dos tribunais, defendiam inocentes e abriam caminho à condenação da culpa, usando o conhecimento da lei e da justiça. O fascínio por aqueles profissionais bem falantes, que brandiam argumentos com a mesma solenidade das suas becas pretas, ditou-lhe a admiração, o respeito e a vocação pela jurisprudência. Um dia, será certamente o primeiro advogado ou o primeiro magistrado da família.

(......)

A meio da manhã, a família partiu pela estrada que, a subir, dá para Laboncinho e Sobrado. Precisamente entres estes dois lugares, já a feira  se espraiava no grande espaço disponível. Poucas sombrs, no dia de calor  que se abria a passos largos. Que os pequenos carvalhos, plantados para o efeito, não tinham ainda idade de cumprir missão tão benfazeja.

Tendas e mais tendas, gente e mais gente a chegar de todo o lado, como manda a tradição das feiras anuais.
Há de tudo, à vista do comprador.Na paisagem agreste da serra, naquele dia especial, avultam os lugares dos " comes e bebes " a fazer jus à fama dos bons cozinhados da região e aos petiscos próprios do lugar e do momento.

Mas naquele dia, a festa tem atrações muito específicas, vindas dos mais variados pontos do Montemuro.De Laboncinho e Sobrado, onde nasceu há cerca de duas décadas, por iniciativa dos Claudinos e outros, a ideia desta feira com características tão singulares. Mas também de Vila, Moimenta, Desfeita, Faifa, etc., chegam os mais belos exemplares de gado bovino, da raça arouquesa.



                                                                   




As vacas, jovens e elegantes,são colocadas em fila. Parecem modelos prontos para o desfile. Cada uma, a contento do seu dono, exibe ao pescoço pequenas campainhas coloridas e na cabeça, entre os chifres, laços e flores de papel.
Depois de numeradas, são minuciosamente observadas por especialistas na raça arouquesa, um veterinário e um engenheiro que, acompanhados por representantes das entidades patrocinadoras, têm a difícil tarefa de atribuir prémios aos melhores exemplares.

(......)

Mas os prémios não se ficam por aqui. A meio da tarde, chegam os bois, criados com todos os cuidados e empenhos para este fim.
É o ponto mais alto da Feira do Fojo. Os animais vêm em grandes camionetas. Depois de apeados e numerados, os especialistas atribuem a cada um o par que melhor corresponda à sua estrutura individual.


                                                                      







                                                                                    
A luta começa. O boi finca as patas no chão e, usando a força da sua corpulência, empurra o adversário com a testa, Chifres contra chifres, músculos retesados, baba a escorrer de raiva, olhos desvirados de nervos, rabos a enxotar pachorrências que ali não têm lugar. Bravura à flor da pele, num jogo de força e resistência. Até que um deles, exausto e quantas vezes a sangrar, começa a ceder, recuando no terreno, vencido pelo cansaço e pela superioridade do adversário. Está encontrado o vencedor.

A assistência, até aí em respeitoso e contido silêncio, abre em aplausos, gargalhadas e corridas, pondo-se a salvo, perante a fuga desenfreada dos animais feridos.
Um homem não fugiu a tempo e é calcado por um dos bois enraivecidos. Fica bastante maltratado e é transportado de ambulância ao hospital mais próximo. Mas esse episódio não esfria os ânimos. Outro par de bois está já pronto para a nova luta. Mudam os heróis, mas o espetáculo é o mesmo.

(..............)

Diogo observa e, na onda de euforia coletiva, entra na vertigem daquela tarde, onde parece que o desnorte se instalou.
Um dia, poderá ser advogado. Terá então maturidade e saber, para livremente fazer as suas escolhas.
Pode ser que venha a ser um fervoroso defensor das tradições da sua região. Pode ser que a sua opção seja a defesa dos direitos dos animais e colabore com alguma das associações que se opõem a estas lutas violentas.
De qualquer modo, terá muito que crescer e aprender. Então, homem feito, culto e responsável, sentirá o privilégio de uma infância repleta de experiências e emoções que o enriqueceram  e serão sempre a base sólida para opções conscientes de que possa orgulhar-se.

Boa sorte, Diogo!


                                                                                  Aurora Simões de Matos

                                                                                  No livro CONTOS DE XISTO








domingo, 21 de julho de 2013

JORNADA AQUILINIANA


                              JORNADA AQUILINIANA



                                       Aquilino Ribeiro

Por TERRAS DO DEMO
Vale Encantado, Nave e Lapa
30 /06 / 2013


Intervenção, à porta da casa onde nasceu Aquilino Ribeiro
( Carregal,Sernancelhe )

Não sendo eu especialista em coisa nenhuma, tão pouco uma aquiliniana assumida, nunca por nunca poderia ou saberia ou me atreveria a uma análise profunda sobre a obra de Aquilino. Deixo essa tarefa a alguns dos presentes que, certamente melhor do que eu, o farão.

O fascínio por este autor, de quem distingo "Terras do Demo ", "Malhadinhas", "Andam Faunos pelos Bosques", vem-me talvez de superiores e transcendentes laços de afecto que me prendem a um telurismo que, subjacente e muito presente em boa parte das coisas que, à minha dimensão, tenho publicado, continua a tomar conta desta identidade de mulher serrana da Beira

E é nessa qualidade e apenas nessa qualidade que, sim,estou muito à vontade para, na circunstância, me enquadrar nos ambientes rurais e bucólicos que o nosso autor descreve com um realismo ora romanceado, ora em carne viva expressa na dureza dos seus usos e costumes, das suas tradições ancestrais, do seu típico linguarejar carregado de regionalismos, dos seus misticismos mais puros.. Num apego umbilical ao mundo campestre e às suas gentes, reflexos de um Portugal hoje praticamente perdido no tempo. Um tempo quase irreal, paradoxo civilizacional da época contemporânea.

Exaltação do torrão natal campesino, num registo impressivo evocador dos ambientes da Beira serrana das primeiras décadas do século XX. Literatura de tradição, em natural convívio com a matriz popular que lhe moldou as marcas da força, da coragem, da irreverência, da ironia ternurenta com que nos fala, em seus personagens, das realidades humanas. Com a matriz popular que lhe oferece o manancial vocabular com que preenche as mais saborosas páginas de uma linguagem tão vernácula quanto romântica. Quantas vezes em expressões satíricas de uma riqueza lexicológica excepcional e única.

Vitorino Nemésio referiu: «A força plástica e musical do mundo aquiliniano é admirável. A serra portuguesa, a aldeia patriarcal, o rebanho transumante, vivem nos seus livros, como a vida flamenga e holandesa, nos quadros dos grandes pintores dos Países Baixos ».

Para ilustrar e documentar as palavras de Nemésio, trouxe um pequeno excerto de " Terras do Demo ". Estas, onde nos encontramos. Estas que Aquilino tão bem conheceu, vivenciou e eternizou em imagens ímpares, onde quis homenagear as paisagens, as ambiências e as gentes austeras de um canto da sua Beira natal. Precisamente o canto que nele próprio, aldeão de nascença, preenche um espaço singular na tradição honrada que lhe é referência.

                                                                                           Aurora Simões de Matos

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(excerto de Terras do Demo)

 « O Chico Brás não tornou a cuquear com a Zefinha do Alonso. Repeso e assustadiço, ia nutrindo a esperança de que os rebates da gravidez podiam ser flato ou endrómina passageira, e mesmo que Nosso Senhor, amerceando-se com a quebra de mancebia, fosse servido de sustar tão grave dano para os dois. E, todo pronóstico, cuidou de pôr os santos da sua banda, rezando-lhes, depois da ceia, uma boa enfiada de padre-nossos e não se esquecendo de ajudar todas as manhãs à missa do padre Zé. Aí estava este, que era um rascoeiro de gema, sem olhar a donzela, viúva ou casada, que para riba dos setenta andava rijo como um pêro, mimoso da divina graça. Ora, o corpo o pede...Deus consente.
O Neve-Ladroa, que fora moço de padeiro no Porto e corria feiras e romarias em chinelos de trança largando pelas tavernas suas loas de borracho e doutor da mula ruça, disse-lhe uma vez, à boca do adro:
-Estás um santarrão, amigo Brás! Mas olha, toma tento com a patroa. O marranito ainda chinca...e para toda a casta de pássaras!
O marranito era o padre, das unhas do qual, muito franzino e tarraco, nenhuma moça saía, a dar crédito às vozes, sem subir ao calvário.
O Brás, beliscado em sua honra, cresceu para ele; mas seguraram-no.
-Eu dou-te a chincadela, pedaço de bêbedo!-espumava ele.
E o Neve-Ladroa, que lhe sabia dos maus repentes, desandou, pigarreando. de envergonhado, aquele seu mormo de velho piteireiro..
O Inverno zurrava lá de riba da Nave, tão ventoso e com pancadas de água  tão rijas que pareciam os penedos dos barrocais a rolar por ali abaixo, de escantilhão. As hortas nadavam na cheia, raro o folhareco de couve a que lançar os dedos. Inteigava-se o cristão com caldo de castanhas piladas, miga de unto, pão com cebola ruda ou umas azeitonas do Távora mais pequenas que carrapatos.Andavam os pobres a lazarar, de povo em povo, sequinhos como as palhas em que se deitam.
Quedava o vivo nas lojas, a esmoer nos cuanhos das malhadas, berrando por todos os foles sua dura fome.Havia rebanhos em que tinham morrido os reixelos da novidade. Deus andava de mal com a serra. »




Fundação Aquilino Ribeiro, em Soutosa



Colégio da Lapa, onde Aquilino estudou



Nesta JORNADA AQUILINIANA, visita a ;

...Biblioteca Aquilino Ribeiro, em Moimenta da Beira
...Casa onde nasceu Aquilino, em Carregal, Sernancelhe
...Colégio da Lapa, onde Aquilino estudou
...Fundação Aquilino Ribeiro, na casa onde viveu, em Soutosa
...Igreja de Alhais, onde foi baptizado


                                                                                         Aurora Simões de Matos






sexta-feira, 19 de julho de 2013

AGUARELA -----POEMA


AGUARELA






                  

Um quadro sem moldura
uma paisagem
manhã serena

uma gaivota
a luz intensa
azul e azul
e um navio que se despede no horizonte


                                                               Aurora Simões de Matos

terça-feira, 16 de julho de 2013

TREVO DE QUATRO FOLHAS........POEMA


MEU TREVO DE QUATRO FOLHAS








Remexi no gavetão 
das minhas recordações
e encontrei aquele lencinho
que minha mãe me bordou
numa noitada ao serão.
Era de pano de linho
com amor bordado à mão
e tinha flores de liz
todas em azul matiz.









Estava muito dobrado
e guardava bem escondido
um trevo de quatro folhas
que encontrei no meu canteiro.
Foi um trevo rebuscado
dentre centenas aos molhos
e que por fim encontrado
por minha mão minha sorte
vou guardar até à morte.


                                                         Aurora Simões de Matos







































quarta-feira, 10 de julho de 2013

RIO ABERTO-----POEMA



RIO ABERTO




Outros caminhos se estendem
no afago morno
com que desenhaste o leito desse rio.

O vento assim é brisa
e o sopro com que beija o chão
é apenas o gesto de se abrir
em acenos inventados de desejo...


                        Aurora Simões de Matos

quinta-feira, 4 de julho de 2013

ALÉM DAS NUVENS___POEMA


Além das Nuvens




Para além do espaço onde pairam nuvens,
o silêncio pertence todo aos que partiram.



Provavelmente as lembranças da voz
que no horizonte ecoa seus murmúrios
fizeram destes montes, destes vales,
o corpo de uma alma incapaz de soltar-se
dos lugares onde as palavras se esconderam
para não terem que acabar perdidas...

                                              Aurora Simões de Matos