terça-feira, 28 de maio de 2013

ALDEIA DA PENA,UM MUNDO QUASE IRREAL



                                  ALDEIA DA PENA

                                   S. PEDRO DO SUL







Subir ao S. Macário é já uma festa.Descer aquela via estreita de quase três quilómetros,em constante confronto com o abismo, para além de ser um acto de coragem em jogo de subtilezas que não admite qualquer batota, é também um percurso de migração em que a nossa identidade dá o salto para um mundo quase irreal.

Desfeito o segredo, pára-se de pasmo e respira-se calmamente o espírito do lugar.É um sítio romantizado no intimismo de uma paisagem secular parada no fio do tempo, pelos inúmeros visitantes que chegam e que partem.Vieram em busca da experiência inesquecível.

Estamos numa cova funda de estranhos limites entre três montes apertados e íngremes, que a natureza  beneficiou com uma larga garganta, o Portal de abertura  voltado à distante Montemuro.O Portal escancarado por onde entra o ar e a paisagem e por onde segue, indiferente à curiosidade alheia, a diligente ribeira que, depois de regar campos e pequenos jardins, se lança em apressada correria em direcção ao Paiva.

Sendo a Pena uma aldeia de xisto e fazendo ela parte do conjunto de « Aldeias Preservadas » de Portugal, não há aqui lugar para qualquer artifício que possa manchar o equilíbrio, na rusticidade deste conjunto de dez casas restauradas nos últimos anos, algumas com o apoio da autarquia, a sua pujante área de cultivo hoje bastante limitada, e os seus montes.Os seus montes onde,alheio à provocante modernidade das sentinelas eólicas como vigilantes indiscretas, tranquilamente pasta um rebanho de cabras e ovelhas.

Longe vão os tempos em que nas casas, nos campos e nos caminhos, se ouviam conversas, canções e gargalhadas à solta, o tilintar da guizalhada dos animais, os manguais a bater compassadamente na eira,o matraquear dos teares, o rodar da mó no velho moinho. Se sentiam, pelo caminho da fonte, o arfar dos corações nos jovens enamorados, se ouviam cantigas de embalar berços de crianças consoladas no leite materno.

A uma das aldeias de xisto mais autênticas do País, bem poderia e deveria chegar-se por acessos mais condignos.Para segurança e regalo dos olhos visitantes e maior comodidade dos que aqui habitam, apoiados nos seus campos, nos animais que criam e no artesanato que manufacturam.Gente que, heroicamente, sabe tirar partido do isolamento em que vive, continuando a não trocar por nada os ares lavados e o aconchego deste canto pequenino, JÓIA DE XISTO perdida e quase esquecida num buraco da serra....


Aurora Simões de Matos


Casas de xisto ...são todas elas...



Casa de Artesanato

domingo, 26 de maio de 2013

BALADA DO MEU SENTIR----POEMA




                                Balada do meu sentir



Instante de vida
mais belo que um rosto
momento risonho
mais belo que a vida
no rosto da gente
escrito no tempo 
das coisas sem tempo
sentidas no sangue 
que corre no corpo
de um corpo sem rosto
mais belo que a vida 
de sentir disperso
que o breve momento
colheu ao passar
lembrança risonha
canção de embalar...

a lua sorrindo
ao ver-me passar
lançou pelo vento
em breve momento
meu tempo de ama



                             Aurora Simões de Matos



quinta-feira, 23 de maio de 2013

Canção da água




                CANÇÃO DA ÁGUA



                       
                                                 MÚSICA E VOZ DE GERVÁSIO PINA





                                            POEMA DE AURORA SIMÕES DE MATOS























quarta-feira, 22 de maio de 2013


Concurso de Poesia
"Agora o Poeta és tu..."
Escolas de Lamego


Mesa de Honra que presidiu à entrega do Prémio




Diploma,assinado pelo Poeta Macário Ribeiro de Almeida, 
Patrono do Concurso






A Vereadora da Cultura da Câmara Municipal de Lamego,
 Dra. Marina Valle, entrega o prémio à vencedora



Poema vencedor e entrega do prémio à respetiva Autora, Bárbara Carrulo Rodrigues
(12 anos e a frequentar o 7ºA da Escola Latino Coelho)




BÁRBARA CARRULO RODRIGUES,a  jovem Poetisa premiada, lê o seu Poema

A LIBERDADE



A liberdade é…

Mais do que uma palavra,

É um sentimento,

Uma forma de viver,

Uma forma de pensar…

A liberdade não é

Não depender de ninguém,

Porque todos,

Dependemos uns dos outros.

A liberdade

É ter a capacidade

De observar

De pensar

De decidir,

Tendo em conta

O que queremos

E o que podemos…

A liberdade

É ajudar os outros

A serem livres,

A serem felizes.

A liberdade

É uma forma de olhar para a vida

De olhar para o mundo…

De sermos nós próprios

Mas com respeito,

Responsabilidade,

Esperança,

E diferença…

A liberdade

Não é nada que se encontra

É algo que se constrói,

Algo que se sente,

Algo que se vive…
Eu

Bárbara Carrulo Rodrigues





O Poeta Macário Ribeiro de Almeida,
que apadrinhou este concurso
e cuja Obra literária foi promovida
 em todas as escolas do concelho



Intervenção de Aurora Simões de Matos,
na qualidade de palestrante de toda esta acção,
no uso da palavra 








O Director da Escola Latino Coelho,no uso da palavra





terça-feira, 21 de maio de 2013

À roda do moinho

                                            POEMA

                                 À RODA DO MOINHO









Por sinuoso e íngreme carreiro,
lá vai descendo a jumentinha parda
de alforges carregada,
sacas bem cheias de milho muito loiro
na companhia do dono
o bom moleiro
que,tocando-a ao de leve, com carinho
compõe com ela um quadro de ternura
que pelos tempos há-de perdurar
bem para além do que o moinho dura,
muito depois do ribeiro secar...

Do ribeiro onde a milagrosa água
se desprende em branca cantilena
 toda mágoa
respondendo à monótona canção
da andadeira mó que bem girando
sobre a outra,sua gémea irmã,
recebe o loiro milho da moega
que lho entrega
para ser mastigado,bem moído
e aspergido já alva farinha
que a branca e paciente moleirinha
de ténues mãos e gesto muito brando
varrendo com carinho...vai juntando...

Da linda e doce e parda jumentinha
do moleiro e da branca moleirinha
de pestanas empoadas de alvas cores,
a vida inteira à roda do moinho
já velhinho,
hão-de através dos tempos escrever
poetas e cantar os trovadores
e em bucólicos quadros reviver
a arte de consagrados pintores...


              







Aurora Simões de Matos
Do livro  "Poentes de mar e serra"-1997-(esgotado)


quarta-feira, 15 de maio de 2013

CELEBRANDO A POESIA




Concurso desperta o gosto pela poesia junto da comunidade escolar lamecense

Ação Cultural no Concelho de Lamego
Dinamizada pela Rede de Bibliotecas
Com o apoio da Câmara Municipal

Palestras a cargo de Aurora Simões de Matos


No âmbito da Rede de Bibliotecas de Lamego, a Biblioteca Municipal , em parceria com as Bibliotecas
Escolares desafiou os alunos das escolas do 1º, 2.º e 3.º ciclos do concelho a utilizarem, com
criatividade e imaginação, as novas tecnologias da informação para participarem no concurso de poesia
"Agora o Poeta és tu..." que assinalou o Dia Mundial do Livro.
Este ano, tendo como patrono o poeta lamecense Macário Ribeiro de Almeida, o concurso procurou
divulgar a obra do poeta lamecense através de palestras muito participativas sob a responsabilidade de
Aurora Simões de Matos e de uma exposição biobibliográfica que percorreu as bibliotecas do concelho
de Lamego.
O júri, constituído por Marina Valle, Manuela Vaquero, Fernando Marado, César Carvalho, Víctor
Rebelo e professoras bibliotecárias, avaliou um total de 70 poemas, tendo distinguido pela sua
originalidade e pelos elementos de linguística, ortografia e sentido estético. os poemas do 1.º ciclo de
escolaridade "As estações do ano" (Centro Escolar de Lamego n.º 2) e o poema "Os livros" (Centro
Escolar de Lamego), do 2.º ciclo, o poema "Nada" (Escola Básica e Secundária da Sé) e do 3.º ciclo,
o poema "A Liberdade" (Escola Secundária Latino Coelho).
Durante a sessão pública de entrega dos prémios aos vencedores, Marina Valle, Vereadora com os
Pelouros da Educação, Acção Social e Cultural da Câmara Municipal de Lamego, sublinhou que o
concurso "Agora o poeta és tu..." foi “importante para despertar o gosto pela leitura e pela escrita de
poesia, além de promover o trabalho de parceria entre as bibliotecas do concelho através da rede de
bibliotecas de Lamego recentemente criada”, considera.


De carácter lúdico e divertido, o concurso "Agora o Poeta és tu..." teve como objetivo principal
estimular a cultura da escrita e fomentar os hábitos de leitura junto da comunidade escolar do concelho
de Lamego.





Contos e versos para crianças no Dia Mundial do Livro
Biblioteca Municipal de Lamego
Atividade a cargo de Aurora Simões de Matos


 
A sociedade contemporânea apresenta-nos uma imensidão de informação que persegue a nossa vida e que muitas vezes nos fazem leitores passivos ou inconscientes. O mundo atual segundo Edgar Morin, sociólogo e filósofo francês, não se pode conceber como um sistema organizado, racional. É um caos, é uma vertigem em movimento. Assim, esta sociedade de informação que, por vezes, nos confunde ou aliena, torna-nos incapazes de acompanhar um novo paradigma informacional: a volatilidade da informação.
Aqui surge a leitura, a qual acompanhou toda a história do livro, bem como o desenvolvimento de novas ferramentas tecnológicas, como instrumento essencial à compreensão, organização e construção de nova informação e conhecimento. Apesar do texto digital representar uma nova forma de relação com o leitor, porque permite uma maior interatividade, quando possibilita navegar na internet (pesquisar, localizar e aceder a informação), o livro mantém-se fiel ao seu leitor.
Às habituais declarações de amor ao livro, contrapõem-se as desculpas para os não ler, destacando-se a falta de tempo como a principal razão que justifica a ausência do livro na nossa vida. Porventura, pretender-se-á encobrir outra realidade que se fundamenta na ausência de familiaridade real com a leitura, frequentemente entendida como algo que é maçador, realizada com um fim específico, nunca com o fim em si mesmo, algo que exige esforço e dedicação, muito diferente do comportamento passivo e intuitivo que se nos oferece a televisão e a internet. A baixa prática de leitura limita a compreensão do mundo que nos rodeia, tornando-nos menos autónomos e competentes. Acumular leitura é essencial à construção de uma personalidade que assenta pilares em valores humanos que promovem o saber ser e o saber estar em sociedade. O não ler deve ser entendido, em primeiro lugar, como a privação de um prazer e de acesso à arte, sabendo-se que a arte torna a vida no mínimo mais suportável e oferece uma fuga ao presente mundo de grande pressão e tensão social, alimentando a constante procura da felicidade.
Nesta perspectiva, comemorar o Dia Mundial do Livro assume relevo e destaque, pois ressalva a importância do livro e da leitura na vida das pessoas. Assim, no passado dia 23 de abril de 2013, a Biblioteca de Lamego convidou a professora e poetisa Aurora Simões de Matos a presentear as crianças da Santa Casa de Misericórdia de Lamego com a leitura de um conto inédito da sua própria autoria. A sua capacidade de expressão oral cativou e despertou o entusiasmo e interesse das crianças que tiveram a  oportunidade de viver um espaço repleto de livros e de leitura.
Fonte: Biblioteca Municipal - abril 2013

(do site da Câmara Municipal de Lamego)

terça-feira, 14 de maio de 2013

À PROA----POEMA


  
                                    À PROA







                                   À PROA

Esperarei por outra viagem
e inventarei dela o rumo.

Pedirei ao vento que me traga 
as ideias que perdi pelo caminho.

Nasci para ser barco no mar alto
e o mar é imenso de atravessar
e os meus destinos são os destinos dos outros.

Esperarei na praia
que as ondas apaguem as pegadas que não são minhas.

Depois,à proa,sulcarei o caminho das águas
e ensinarei às aves marinhas a canção da minha história...




                                            Aurora Simões de Matos

sexta-feira, 10 de maio de 2013

Vinícius de Moraes...Tertúlia e Programa de rádio

                       


                                   VINICIUS DE MORAES

                                                 FOTOS

                          Tertúlia Literária em LAMEGO

                                                     e

                                PROGRAMA DE RÁDIO

                         AUTORA----Aurora Simões de Matos    
                                  (clique no endereço abaixo)

Quando o Verso se Desfolha – 08.Maio.2013



Algumas   FOTOS  do serão  .......  11 /Abril/2013








                 A sala da Tertúlia.....Biblioteca do Hotel Lamego






                          Com a presença do Sr.Presidente
                          da Câmara Municipal de Lamego






Aurora Simões de Matos, 
dinamizadora e coordenadora da Tertúlia,
com o Presidente Francisco Lopes




                                   Os dois palestrantes,
                            Drs.José Pessoa e André Freire




                                    Dr.Gervásio Pina canta
                                  "GAROTA DE IPANEMA "




                                        Aspecto da sala,
                            que esteve completamente cheia