quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

POEMA......." PARA QUÊ??? "


PARA QUÊ...?







Alta noite, silêncio, escuridão

Eu...cantando meu verso dolorido

Verso que se solta da minha mão

Como pena que esvoaça sem sentido



Longe de tudo...tão longe do mundo

Na fria noite deste desamor

Em vez de dormir já sono profundo

Brado em verso este meu clamor...



E quem ouve meu brado...quem me lê

Se toda a gente dorme a esta hora

E não há vento que me leve a voz?



Para que escrevo versos, para quê

Se qualquer noite eu me vou embora

E os deixarei ficar...tristes e sós?




                         Aurora Simões de Matos



quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

BEIJO


BEIJO





O olhar cresce e a boca se insinua
à intimidade total do grito
e a vida em turbilhão morre sem pressa
em purpúreo esplendor do infinito
no aberto incêndio do desejo...

pois ali tudo é céu, inferno, fogo e chuva
vulcão de lava ardente
rio que desabou
 trovão a ribombar em seu lampejo...

pêssego de cetim e sumo de uva
romã que amadurou
no momento selvagem de um só beijo...



                                        Aurora Simões de Matos
                                12/ 02/ 2014

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

NEVE NA SERRA DO MONTEMURO


NEVE NA SERRA DO MONTEMURO

Algumas aldeias do Montemuro estão hoje isoladas, devido ao manto de neve que atinge, em alguns pontos, mais de um metro de altura



É o Montemuro branco amortalhado
silêncio pesado que lhe cobre o corpo
no frio parado que lhe esconde o rosto
na grandeza austera do céu transbordado

É a serra inerte de alma despojada
na distância em flancos cobertos de alvuras
onde o som que corta o ar das alturas
me zurze de invernos a boca gelada

É  a cor do frio no tempo parado
de corgos que choram murmúrios de dor
nas pedras que calam sua voz de amor
ao êxtase branco do amortalhado


                              Aurora Simões de Matos





segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

POEMA......"PENEDIAS"


PENEDIAS


Penedias plantadas pelo monte perdido
testemunhas do tempo mais antigo
sobranceiro aos homens
paradas como a morte, pesadas como a morte...

Que a dor deste peso
é o orgulho supremo de se ser virgem
pois nem nunca o vento as trespassou
que as deusas não se penetram...



Sinais da fronteira do Céu alheio à Terra
esculturas do tempo mais antigo
sombras caindo nos longes mais profundos
são, ainda assim, vozes de súplica
há muito sufocada no silêncio vazio das alturas...

Nos espaços abertos aos contrastes rudes
adivinham-se gritos na timidez das forças...


                                            Aurora Simões de Matos