sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

Adeus, 2016

ADEUS, 2016







Nesta hora de fechar a velha mala de vivências do ano de 2016 que agora finda, mala que muitas vezes será certamente reaberta no futuro, ainda é tempo de dizer o quanto me soube bem a palavra generosa do carinho, o gesto terno do sorriso, a intenção sublime dos afectos que de todos senti - a minha Família, os meus Amigos, as Gentes da minha região de origem, os Desconhecidos que por esta página passaram...
Tive perdas irreparáveis, sim. Amores e amizades que partiram para outras dimensões da vida. Outras que, intencionalmente, deixei pelo caminho, porque me dei conta de que não valiam a pena.
Como pode constatar-se, poucas foram as flores que no meu coração murcharam e me caíram da mala dos afectos. Muitas mais foram as que vicejaram, numa convicção saudável e revitalizante.
OBRIGADA POR TANTAS FLORES VIÇOSAS, NA MINHA VELHA MALA DE MEMÓRIAS!!!


                                                                                 Aurora Simões de Matos

terça-feira, 27 de dezembro de 2016

NATAL SOLIDÁRIO NO LAR NOSSA SENHORA DO ROSÁRIO, EM PARADA DE ESTER


~~~ O MEU NATAL SOLIDÁRIO 
NUMA TARDE DE MEMÓRIAS  -  21/ 12/ 2016 ~~~



Ontem, todos os meus caminhos foram dar ao Lar Nossa Senhora do Rosário, de Parada de Ester, meu chão natal.
Ali vivi e revivi momentos de uma riqueza ímpar. Encontrei rostos cansados da vida, corpos doentes e mentes confusas no baralho das emoções. Um dia, conheci-os a quase todos, privei com a maioria. Eram gente de trabalho e de afectos, que a idade rompeu ao sabor das intempéries do tempo.

Ali estava o Alberto. Com ele vivi uma história de infância, que retratei num dos meus livros.
Um dia, a professora D. Hermengarda ordenou-me que lhe desse umas tantas palmatoadas, nas mãos enregeladas de frio. Porque eu, na primeira classe, soube a tabuada que ele errara, frequentando a terceira. Cá fora, no fim da aula, o Alberto deu-me uma tareia valente. Não pelo número de reguadas, mas pela força com que lhas acertei.
O caso daria para rir. Mas de novo o Alberto, indefeso pela doença, estava ali, à minha frente, sem reagir. Sem mesmo sequer me reconhecer.

                                                                        

                                                      O Alberto não me reconheceu

O Carinho, ao toque de um abraço

Partilha de memórias e saudades





Grande lição fui ontem aprender ao Lar Nossa Senhora do Rosário. É que as forças e as fraquezas de cada um estão sempre sujeitas à vulnerabilidade dos acasos da vida.
Grata a todos quantos proporcionaram este reencontro com tantos amigos que a sorte e o azar distorceram, ao arrepio de sonhos que se finaram. Senti-me verdadeiramente privilegiada, por estar lúcida e sem dores físicas. Que as dores da alma, essas aumentaram, em cada abraço que dei, em cada beijo que recebi, em cada saudade que guardarei no cantinho mais íntimo do coração.
Obrigada, Nossa Senhora do Rosário!






Obrigada ao Lar Nossa Senhora do Rosário! Pelo convite, pelo modo gentil como ali sempre me tratam, Obrigada por todas as manifestações de carinho partilhadas.

Um bem haja especial à dra. Ana Andrade, que organizou e dinamizou este encontro, com reconhecido profissionalismo.

De bom grado, voltarei sempre que me chamem. 



                                                                 Aurora Simões de Matos



terça-feira, 20 de dezembro de 2016

Mensagem de Natal de Sua Excelência Reverendíssima D. António Couto, Bispo de Lamego
Dirigida à TERTÚLIA ARTES E LETRAS DE LAMEGO
10/ 12/ 2016






SONHA TAMBÉM

Há dois mil anos Deus sonhou
E foi
Natal em Belém.
Sonha também.
Se o jumento corou
E o boi se ajoelhou,
Não deixes tu de orar também.



1. A notícia ecoou nos campos de Belém. Com o celeste recital que ali se deu, o céu ficou ao léu, a terra emudeceu de espanto, e os pastores dançaram tanto, tanto, que até os mansos animais entraram nesse canto.

2. Isaías 1,3 antecipou a cena, e gravou com o fulgor da sua pena o manso boi e o pacífico jumento comendo as flores de açucena da vara de José sentado ao lume, e bafejando depois suavemente o Menino de perfume. Enquanto os meigos animais vão comer à mão do dono, o meu povo, diz Deus, não me conhece, e perde-se nos buracos de ozono.

3. Nos campos lavrados passeiam cotovias, ondulam os trigais, e vê-se Rute a respigar o trigo ao lado dos pardais. Que estação é esta que reúne as estações e os anais? Abre-se ali num instante um caminho novo. Vê-se que passam Maria e José e o Menino, que salta logo do colo e suja as mãos na terra, tira da sacola estrelas todas de oiro, e semeia-as na terra com carinho.

4. Anda à sua volta um bando de boieiras, leves e ledas companheiras, correndo no mesmo chão de oiro semeado. E nós continuamos a passar ali ao lado daquela sementeira toda de oiro, que o Menino pobre acaricia, e logo se transforma em trigo loiro. Mas ninguém para, ninguém acredita que o Menino pode ser dono de um tal tesoiro.

5. Vem, Menino! E quando vieres para a tua doirada sementeira que logo cresce e se faz messe (João 4,35), quando assobiares às boieiras, chama também por mim, diz bem alto o meu nome, vamos os dois para o campo e para a eira, e enche-me de fome de um amor como o teu, pequenino e enorme.

António Couto









Vários aspectos da Tertúlia de Natal

A Coordenadora
Aurora Simões de Matos



PRESÉPIO NATURAL - ALDEIA DE MEÃ - CASTRO DAIRE, PORTUGAL


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A minha aldeia, presépio natural




Aldeia de Meã, concelho de Castro Daire, distrito de Viseu


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 ~~~ A ALDEIA ONDE NASCI - PRESÉPIO NATURAL ~~~

Em qualquer humilde lar da minha aldeia
em tudo igual aos lares da Galileia
bem podia ter nascido o Salvador...

Que melhor canto para um Rei nascer
que este trono de beleza natural
onde o frio do tempo é só calor
tornado chama por força do Amor?

Que melhor berço para acolher Jesus
que este chão forradinho de verdura
onde o ar que se respira é fonte pura
e o Sol do céu resplandece todo Luz?

Que Mágicas Montanhas haveria
mais de acordo com o mistério de Maria?

E que Rio mais límpido e profundo
para mirar-se o Príncipe do Mundo?

Nesta paisagem de VERDADE NATURAL
quero erguer meu Presépio de Natal.


                                                        ***Aurora Simões de Matos






                            *Aurora Simões de Matos

sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

Feliz Natal

A todos os meus Amigos e seguidores espalhados pelo mundo, votos de um Feliz Natal!!!

Aurora Simões de Matos

quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

A Obra escrita de Aurora Simões de Matos, comentada por destacadas Figuras da Cultura


 TESTEMUNHOS  ESCRITOS




A leitura lenta, meditada e sentida de Aurora Simões de Matos, revela-me um Poeta que modela sentimentos com a doçura das palavras ou a agudeza magoada duma frase bordada.
O amor, os afectos, a saudade, os sonhos, as realidades, o mar, a serra, o rio, o Mundo das pessoas e das coisas, têm nos seus versos insuspeitadas e belas ressonâncias.

Por isso a leio como quem faz uma jornada, sem pressas, a passo lento, parando em cada curva da estrada, para olhar de novo a paisagem humana que a poesia desdobra, a seduzir um olhar perdido pelos encantos de novos mundos.»

 Fernando Amaral, ilustre lamecense, VII Presidente da Assembleia da República Portuguesa ( no livro " Uma Palavra " ) - em 2001


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« Os seus textos - sempre poéticos, mesmo quando não verseja - são de uma delicadeza rara. E são também femininos até ao tutano. São verdadeiramente textos-Mulher.
Dois exemplos: só uma mulher escreveria que " provamos pelo sumo/ de só provar/ pelo prazer da semente " ( Aí seremos nós ); ou esta belíssima passagem, evocadora de uma sensibilidade gémea de Florbela Espanca: " Trago no sangue quente mil feitiços/ feitos de terra em cinza e fogo ardente/ no pensamento trago ideias loucas/ que só quem ama a terra sabe e sente" ( Exaustão). 
Isto é um pedaço de GRANDE POESIA.

             .  Amadeu Carvalho Homem, Professor Catedrático na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra ( na apresentação do livro " Uma Palavra", em Lisboa ) - em 2001


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« Aurora Simões de Matos é um desses seres que chegam discretos e disponíveis, se expõem sem reservas, sem redes; um desses seres que sabem encontrar caminhos próprios, afirmar-se diferentes, solidários, sensíveis; que têm na inteligência, na imaginação, na persistência, na criatividade, na liberdade, referências inamovíveis (...).

Escrita de tonalidades imprevisíveis, a Obra desta autora afirma-se uma descoberta irresistível.»



         . Fernando Dacosta, escritor e jornalista   (no Prefácio do livro " Uma Palavra") -  em  2001





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« Aurora, minha irmã poeta

Tanto quanto sei, apenas o Júlio Dinis e o António Correia de Oliveira se te podem comparar, naquela forma ternurenta de agarrar a realidade rural da tua beira-Paiva, dela fazendo as delicadas aguarelas de palavras que se entrelaçam num tecido de cores suaves.
Na tua escrita não há os solavancos dos grandes dramas e afrontamentos, porque tu és uma mulher de paz e amor. Sobre a gangrena da realidade,  teces sempre o manto da fantasia que encobre as chagas. Gostas do romantismo tranquilo de Silva Porto.
O Naturalismo, como expressão estética, pode ter sido ultrapassado, mas traz sempre a tranquilidade que nos põe de bem com o mundo e connosco próprios, particularmente quando essa forma de expressão da nossa mundividência artística é quase espontânea

               Jaime Gralheiro, escritor e dramaturgo ( no livro "Contos de Xisto") - em 2011





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« Como académico e  investigador nas últimas duas décadas, o que me interessa  é compreender como é que as mulheres são socialmente e culturalmente feitas mulheres. Como são educadas, para agir de acordo com o que é suposto ser feminino.

E é aqui que o livro " A SOBREVIVENTE- DIREITOS E DEVERES DA MULHER RURAL DO SÉCULO  XX" , de Aurora Simões de Matos, é de uma grande importância histórica, etnográfica e sociológica. (...)
A sua importância é ainda maior, porque se sabe pouco destas mulheres rurais. A maior parte dos estudos centra-se nas mulheres burguesas da cidade. 
Irei aconselhar a sua leitura aos meus alunos.»

                 . Manuel Lisboa, sociólogo, Professor Catedrático na Universidade Nova,  Director do Observatório Nacional de Violência de Género e Perito internacional do Instituto Europeu para a Igualdade de Género  ( na apresentação do livro " A Sobrevivente - direitos e deveres da mulher rural do século XX", em Lisboa ) - em 2014



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« A imagem que guardo dos seus olhos pequeninos, semicerrados, já me fazia sentir que estava a ver ao longe, ao perto, o que muitos olhos bem abertos não enxergavam. Era o sentir das Coisas, da Terra, do Homem, da Natureza, da Vida.

Sinceramente, ao ler os seus poemas, não me espantei, porque há muito que os esperava. E são tão Verdade, tão sentidos, tão vividos, tão Vida, tão Terra Nostra...

Obrigada, Aurora, pelos teus poemas de músicas, aguarelas, pinturas, sensibilidades, emoções e, porque não...  de paixões?! »



          . Isabel Silvestre, cantadeira, a Voz da Tradição Portuguesa ( no livro " Poentes de mar e serra" ) -  em 1997


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« A Natureza, casa do homem. A Natureza, terapia da alma, lugar de encontros, de conhecimento e de revelação. Motivo de saudades e de toda  a gratidão. Mais do que cenário, é um espaço humanizado, dificilmente delimitável, de tal maneira nasce e se esgota em Aurora Simões de Matos que, por sua vez, dele extrai o sentido da própria vida: talvez porque nesse espaço, o sentido do sagrado ainda não se perdeu.
De tudo isto falam os poemas e esta autora que, em tom marcadamente confessional, neles tão claramente se inscreve.»

            . Maria Júlia Cordas,  Faculdade de Letras da Universidade do Porto ( na apresentação do livro "Poentes de mar e serra" no Porto ) - em 1997


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« Bem-haja, Aurora Simões de Matos, pelo contributo que confere à consciência social, ao exaltar aquela Personalidade ( Judith Teixeira), num trabalho de investigação que é, sempre, tarefa e missão difíceis.
Desejo que continue a escrever com sucesso.»


       . Fernando Ruas, eurodeputado, em mensagem a partir do Parlamento Europeu, Bruxelas - em 2017 

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« Em "CONTOS DE XISTO", sentimos um mundo de aconchego e amor que nos lembra a doçura intensa e maviosa do mel, no dia-a-dia rural, percepcionado pelo olhar feminino de uma Pessoa com a alma a transbordar de humanismo. «Sobre a nudez crua da verdade, o véu diáfano da fantasia» - poderíamos dizer, citando Eça de Queirós. 
Contudo, em Aurora Simões de Matos, esse "véu de fantasia" não atraiçoa a realidade. Pelo contrário: dá-lhe outro relevo, apontando, sem enfadonhos moralismos, para a construção de um mundo melhor: com calor humano feito de solidariedade e de partilha. Com afectos. Sempre numa atitude de total respeito: pelos humanos, pelos animais, pela Natureza inteira. Há também uma atitude de respeito pela Transcendência, nas várias referências à religiosidade popular e ao modo como o Povo se relaciona com o Sagrado. »

                     . Maria Irene Bernardo Cardoso, licenciada em  Línguas e Literaturas Modernas e Ilustre Professora  de  Língua Portuguesa no Ensino Secundário ( na apresentação do livro " Contos de Xisto", em Viseu ) - em 2014


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« Esta é uma voz rebelde e inconformada, que utiliza a sua forte inspiração para eternizar sentimentos de uma infinita grandeza humana.
Aurora Simões de Matos exerceu o magistério e adquiriu uma vivência muito forte, quer na docênca, quer na convivência familiar e social. Essas três vertentes consolidaram uma cultura incomum, que enriquece a poemática de toda a sua Obra.»

          . Barroso da Fonte, escritor e jornalista, Director do Paço dos Duques de Bragança - Guimarães (em artigo no " Jornal de Letras ") - em 1999

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« Penetrar na profundidade da escrita de Aurora Simões de Matos é embrenhar-se na pureza de conceitos em que a verdade a tudo se sobrepõe. É deslumbrar-se com a riqueza do mundo interior de quem, liberto de medos e de preconceitos, investiga, analisa, acusa... cultivando a cultura sem se arredar da arte.
É sentir o estremecimento que provoca a reflexão, para concluir que, nos primórdios do século XXI, a denúncia da condição da Mulher tem mais um  nome a juntar à Literatura - o seu.»                                                                                                                                                                                                             
             .  Fernando Marado, professor, escritor e poeta lamecense ( no livro " A Sobrevivente - direitos deveres da mulher rural no século XX " -  em 2013


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« Zélia Gattai é nesta obra enaltecida por outra académica, esta da nossa ACLAL, cujo nome resplandece cada vez mais através da pena que tão sublimemente utiliza.
A Aurora Simões de Matos, a " Poetisa da Paiva ", coube escrever as palavras que vão ler. E por elas se compreenderá melhor ainda o elevado valor de Zélia que, indubitavelmente, as merece por inteiro.
Regozijamo-nos com este encontro entre Zélia e Aurora. A bem da Lusofonia!»

             . Arménio Vasconcelos, museólogo e Presidente da Academia de Letras e Artes Lusófonas ( no Prefácio  do livro " Zélia Gattai, a Bem-Amada") - em 2014  


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« É, pois, a persistência de Aurora Simões de Matos que nos concede mais um exercício de convocação e invocação das aldeias das duas margens do rio Paiva. Unidas que estão pela negra mas luminosa presença da pedra de xisto, são por ela elevadas à condição de símbolos de uma civilização agrícola que se vai desfazendo paulatinamente, à frente dos nossos olhos.
Uma civilização material austera e telúrica, feita da luta permanente pela sobrevivência, mas uma civilização imaterial de complexidade e riquezas únicas.»

              . Luís Gomes da Costa, Presidente da BINAURAL ( no Prefácio do livro " Contos de Xisto" -  em 2014

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Aurora Simões de Matos e os seus crónicos colaboradores merecem o nosso respeito e a nossa gratidão, por terem feito viver em Lamego um encontro regular, que ajuda a vencer alguma solidão acumulada. Por terem mostrado que os pequenos centros do interior são bem capazes de, por si sós, saber pensar, discorrer, partilhar ideias, turar conclusões, expressar pensamentos e desejos. Vivenciar cultura, no que ela tem de mais salutar e indubitável enriquecimento individual e colectivo.
A nossa Tertúlia está viva, é conhecida em todo o País e invejada por muitos. Merece a nossa colaboração e usufruto.»


. José Pessoa, investigador em História da Arte, colaborador residente da " TERTÚLIA ARTES E LETRAS DE LAMEGO"


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«Aurora Simões de Matos jamais começa as suas narrações pela expressão - "Era uma vez..." - porque as histórias que ela conta são histórias de verdade, por mais que aureoladas por um tempo de memória. Histórias por ela vividas ou acompanhadas tão de perto, que as interiorizou como se lhe pertencessem e agora no-las entrega.»

              . Alberto Correia, escritor e antropólogo, ilustre personalidade da cultura beirã ( na apresentação do livro " Contos de Xisto", em Castro Daire ) - em 2012 


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« Em "Poentes de mar e serra", Aurora Simões de Matos recorda gentes, bichos, paisagens e as mais delicadas vivências da sua terra mãe.
Neste novo livro, tudo acontece dentro de si. 
A poetisa revela-se livre de qualquer amarra. Voa no seu próprio firmamento, com rara segurança e expressão poética.»

          . Camilo de Araújo Correia, distinto médico e escritor do Douro ( no livro " Uma Palavra " -  em 2001


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« Os tempos, os lugares, os sentimentos são seus, é certo, mas a poetisa confere-lhes e imprime-lhes características tão sobre-humanas, míticas e universais, que a sua poesia se transmuta num cântico intemporal e num hino de vitória universal (...). 
Ler Aurora Simões de Matos é compreender a sua natureza anímica e inquietante, até mesmo provocadora, naquilo que tem de mais profundo e secreto.»

. Macário Ribeiro de Almeida, escritor e poeta ( no " Jornal do Douro " ) - em 2010


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« Há lembrança de nesta terra de Parada, concelho de Castro Daire, diocese de Lamego, ser nada e criada uma menina, Aurora chamada, bem nascida, que, já adulta, fora daqui, de saudade sofrida, fazendo uso das Letras, canta por todo o lado, não " as armas e os barões assinalados", mas as virtudes da gente rústica que cuida de cultivar a terra para sustento da prole e do Estado; canta a vida esforçada da gente montemurana; canta as cores e os matizes íntimos da sua natureza humana; os sentimentos ora inseguros, fluídos, migrantes como as águas do rio Paiva, ora maduros, sedentários, maciços, impenetráveis penedias que, desafiando tempos e temporais, rendilham a linha do horizonte onde a terra acaba e o céu começa (...).
Aldeã, natural de Meã, a serra encarquilhada nos seus contrastes de altos e baixos penetrou-lhe a alma, a mesma de onde ela, a serra inteira, jorra agora feita poesia.»

. Abílio Pereira de Carvalho, ilustre Voz da cultura castrense ( artigo na internet) - em 1997

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« Ao longo da vida, a grande paixão de Aurora Simões de Matos tem sido a poesia. Poesia que flui, com a naturalidade de quem a tem dentro de si e para quem exprimi-la é uma necessidade.
Ao longo de toda a sua Obra, sentimos a Vida, poeticamente plasmada. Vida da terra, vida íntima da Autora, expressa com apurada sensibilidade, vida das gentes, captada em penetrante espírito de observação e poder descritivo. A sua poesia tem ainda o mérito de apresentar estrutura formal e registos estéticos e lexicais variados, harmonia e ritmo que lhe conferem uma musicalidade extremamente agradável.»

António Nazaré Oliveira, escritor e respeitada Figura da cultura beirã ( no jornal " 
Gazeta da Beira" -  em 2000


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« Letra a letra, livro a livro, Ausima canta todos os pensamentos, em prosa ou verso, ou em amiga epístola.
A versatilidade com que tudo expõe, com que nos maravilha, granjeou-lhe uma procissão de leitores-admiradores. A partir do seu torrão nativo, canta a pátria celeste, canta a terra do Homem, canta todo o Universo.»

. José Pais, escritor e jornalista ( no livro " Juliano III ") - em 2011


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«Não são precisas palavras, não são precisos parabéns, não há nada que se possa dizer quando a verdadeira poesia brota límpida e pura da pena de Aurora Simões de Matos! Ler e testemunhar é tudo o que se pode fazer.»

. Olinda Beja, escritora e poetisa premiada, assessora cultural da Embaixada de S. Tomé e Príncipe  ( em comentário na net) - em 2017

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TERTÚLIA 
ARTES  E  LETRAS  DE  LAMEGO

Fundada em 2012 por Aurora Simões de Matos, e por si organizada e coordenada regularmente, ao segundo sábado de cada mês


Tema - Escritores e Artistas Médicos
Reunião com a SOPEAM - 2013


Tema - Sociedade e Fotografia ( 2013)

 Tema - Amália Rodrigues - A voz e a lenda ( 2015)

  Tema - África de todos nós


Tema - A Arte na paisagem


 Tema - Jorge Amado

 Tema - Homenagem ao Professor

Tema - A Mulher e a Arte


Tema - O Despertar dos Mágicos - a cultura, a arte e a criança  (2017)

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Aurora Simões de Matos




 

domingo, 4 de dezembro de 2016

O TEMPO ENVELHECIDO DOS HOMENS

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NAS  RUGAS  DO  TEMPO  A  PRETO  E  BRANCO






A natureza recolheu, nos montes, os seus enfeites de cor, para cobrir-se com o manto frio que enregela os ossos e a alma, até ao mais fundo das entranhas da terra.
E nas rugas do tempo envelhecido pelo inverno, há corpos que se ressentem ao sopro gelado que corta a pele em lancinantes profundidades.
É o passar impiedoso dos codos e cieiros da vida, que mata todos os sonhos já desamarrados de qualquer canção.




Como se, ao perderem o refrão da existência, nas curvas apertadas de tão longos e difíceis caminhares, a erosão não lhes deixasse outra música, senão a triste balada de um choro carregado de memórias.
A dormência da natureza nem sempre ressuscita na natureza das gentes.



                                                                          * Aurora Simões de Matos

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

O CICLO DO LINHO


LINHO DOR... LINHO AMOR





Ecoavam pelos ares secas pancadas
À hora do calor, debaixo das ramadas

Era o martírio do linho
Estranho ritual de dor
Que obrigava a castigar o nosso amor
Em penosa festa
À beira do caminho

Linhaça no linhal
Semeado, regado, mondado
Linho amado de corpo e alma
Linho bendito que o povo salma
Em cânticos perfumados de ternura
A suavizar mil gestos de tortura
Tortura... amor também
Raízes arrancadas sem dó nem piedade
Ao aconchego da terra sua mãe

Repouso refrescante
Em água límpida e reconfortante
Suavidade e maciez
Em leito de bondade
No ribeiro de murmúrios doloridos
Aos caules ressequidos

À hora do calor debaixo das ramadas
Ecoavam pelos ares secas pancadas



Mãos calejadas da fiadeira
Mãos sofridas fiando a tarde inteira
Torcendo o linho com jeitinho
Girando o fuso devagarinho
Mãos molhadas na boca
Jogo de sedução do fuso para a roca

Mãos que dobavam dobadoira louca
Incansável girar em rodopio
Na canseira de enovelar o fio


Sala da tecedeira, artista da teia e do tear
Fio cruzado, entrecruzado
Fio com arte por fim armado
Teia tecida, entretecida, para cá, para lá, até cansar
E outra, e tanta vez
Ao ritmo da dança de seus pés

Pano tecido que cobria coradoiros
De aromas a limpeza, aromas a barrela
Quadro de tortura
Dor com estigmas de fogo ardente
Carvão e cinza, água fervente
Marcando sinais de finíssima brancura










Pano corado
Terno panal de pia baptismal
Lençol de noiva cem vezes contado
Rico ou pobre enxoval
Enfeite lindo de mesa pascal
Ornamento de altar, alva toalha
Fria e triste mortalha

Linho coragem, retrato todo dor
Na dor daquele bater, do maçar e do tascar
Na dor daquele sofrer do sedar e do arrepelar
Por gestos todos eles feitos de amor

Ecos de dor sentidos com ternura
Ternura, dor, saudade
Debaixo das ramadas da minha mocidade!




*Aurora Simões de Matos

( excerto do poema " Linho dor... linho amor )

in " Poentes de mar e serra" - 1997