segunda-feira, 25 de maio de 2015

A PERDA DA IDENTIDADE COLECTIVA





~ INDIVIDUALISMOS DA MODERNIDADE ~




E ASSIM SE VAI PERDENDO

 A IDENTIDADE CULTURAL DE UMA REGIÃO




Com a chegada da televisão, dos telemóveis e da internet, foram dissipadas barreiras,

desde sempre julgadas intransponíveis. As novas tecnologias aí estão, a revolucionar

 também o quotidiano dos ambientes rurais, nas pequenas aldeias mais isoladas. As 

seculares práticas comunitárias, instaladas desde tempos imemoriais, foram dando lugar 

aos individualismos da modernidade.


As gerações mais velhas, embaladas neste sonho de conforto e de progresso, de 

boamente foram aceitando as mudanças que pudessem facilitar um pouco os seus dias,

 desde sempre marcados pelo esforço duro e penoso.

Na prática, quase ninguém se apercebeu dos efeitos perversos desta mudança de atitudes

 e mentalidades. Naturalmente, as coisas foram acontecendo devagar e, quando se deu por

isso, as crianças já não cultivavam prática e linguagens, gestos, memórias e afectos que se

 julgavam imorredoiros.


Tinham deixado de aprender, porque ninguém se lembrara de lho ensinar, nos longes das

 grandes cidades para onde acompanharam seus pais, o carinhoso respeito pelos nossos

 velhos, a quem já não recorrem para as aprendizagens da vida, com quem já não rezam

 as contas ao serão, a quem já não pedem a bênção pela manhã e antes de adormecerem.

As crianças e os jovens da minha terra foram perdendo o espírito genuíno que 

caracterizava a sua identidade e são agora, para o bem e para o mal, em tudo parecidos

 com os novos portugueses de todo o resto do país e do mundo.






                                                          Aurora Simões de MatoS

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