segunda-feira, 28 de novembro de 2016

A MULHER DO MONTEMURO, EM MEADOS DO SÉCULO XX


MULHER - SÍMBOLO DA MINHA TERRA MONTEMURANA 






A rezar as memórias de uma longa vida, feita de pequenas coisas. Que, todas juntas, fazem dela a
 protagonista de uma grande história. A história de cada mulher serrana, nascida e criada na aridez,
 pelos rigores da natureza e da vida. Companheira do homem, âncora da família, escrava de valores
 que por tanto tempo a humilharam na sua dignidade. A quem tudo, durante séculos, se exigiu, sem o
 direito de recusa.
E, ainda assim, mulher conformada e sorridente na sua condição feminina.

Mulher guerreira, mulher valente. Mulher trabalhadora, lealmente apaixonada pelos seus,
coerentemente apaixonada pela vida.




Mulher que, com a mesma dignidade, seria bem capaz, se disso tivesse ensejo como outras o tiveram,

 de libertar-se aos poucos das amarras que a prendiam a rigorosos conceitos civilizacionais de ser

 subalterno. Mulher lutadora que, pelo seu esforço, coragem e capacidade, saberia, como outras o

 souberam, iniciar o percurso de emancipação. Pela cultura que lhe daria igualdade de direitos, sem

 abdicar da cultura de tradição que lhe proporcionaria uma posição singular no seio da comunidade.


Mulher-símbolo de um tempo, sem tempo nem condições para dele se desprender.



                                                                       Aurora Simões de Matos








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