segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Férias de Verão

Férias de Verão
1ª Parte





                                                                                                               

Acabada a primeira parte destas férias anuais de Verão, vivo agora um curto intervalo, para depois me lançar na segunda parte, entre o campo e as serras, o mar e uns curtos passeios (cá dentro), que hão-de libertar forças regeneradoras de outras forças.


Desta primeira parte, guardo sempre as melhores recordações.


Há vários anos já que, respondendo a necessidades físicas e afectivas, procuro, no mês de Julho, as Termas de S. Pedro do Sul. Para beneficiar das suas águas que dispensam apresentações, para me encontrar com amigos que desfruto apenas nesta época, para regressar, ainda que só por duas semanas, a espaços-matriz de uma infância tranquila, a lugares-memória que me marcaram a vida, em tempos de crescimento.


De facto, nas Termas de S. Pedro do Sul, vivi entre os oito e os quinze anos, idade marcante nas aprendizagens de qualquer vida, por mais normal e rotineira, calma e sem sobressaltos... ou mergulhada em solavancos que muitas vezes nos acontecem.


Aí cresci, entre gente boa que me ajudou a cimentar a personalidade e me transmitiu valores que ainda hoje defendo. Entre os mais humildes, que viviam do trabalho sazonal no Verão, alugando quartos nas suas casas particulares ou fazendo pela vida com trabalhos temporários, nos grandes hotéis sempre cheios. Mas também entre os mais abastados, donos de unidades hoteleiras de prestígio, famílias tradicionais de requintada educação, no esmero de uma sociedade sempre na mó de cima. Uns e outros vivendo, já nesse tempo, como agora, do turismo termal, que tinha no Verão o seu ponto mais alto.

Aí frequentei a escola primária, hoje em ruínas, ao lado da vetusta Igreja de Nossa Senhora da Saúde. No meu recreio, mais tarde esventrado, sobre os achados arqueológicos hoje à vista de quem passa, num abandono pungente, brinquei todos os jogos, danças e cantigas que ali eram costumes saudáveis, em meados do século passado. Parte de uma infância e de uma adolescência alicerçadas na segurança, no aconchego, em visões e vivências que me abriram portas à imaginação e ao deslumbramento.




Umas das experiências que me ficou gravada pela memória de um tempo tão particular, foram as corridas despreocupadas pelos longos corredores do Hotel Palácio, quando ali brincava com as filhas do casal que, ao tempo, se ocupava da guarda e vigilância do mesmo. Nesse tempo, o Hotel só funcionava no Verão.


Envolto em várias polémicas, desde a sua construção megalómana, na segunda década do século XX, nunca o grandioso edifício serviu os objectivos para que fora projectado. Não chegaram os Irmãos Diniz, da firma com o mesmo nome, a conseguir o monopólio da exploração das águas termais. E se os luxuosos espaços do empreendimento chegaram a ser usados como lugar de encontro e de grandes e exuberantes festas das elites portuguesas e mesmo estrangeiras, a situação não poderia durar muito tempo, já que a manutenção do imóvel não se compadecia com quebras na produção de receitas.


O Estado Novo, apercebendo-se do subaproveitamento do Hotel Palácio, fez dele um grande Centro da FNAT e o Pós-25 de Abril, depois de grandes obras de restauro e modernização, transformou-o no espaço acolhedor consentâneo com as necessidades e exigências da vida actual, onde instalou uma das unidades mais requintadas da INATEL.











Os seus 77 quartos, apetrechados com todas as comodidades, o magnífico restaurante, o bar, as várias salas de estar (cada uma mais bonita que a outra), a biblioteca, a sala dos computadores, a sala de jogos e a de conferências, o espaço das crianças, os bem tratados jardins e a quinta, espaço envolvente de onde destaco a esplanada sempre cheia nos serões animados com música ao vivo, tudo são agradáveis surpresas e locais de regozijo e bem-estar. Para quem (associados e não associados) procura esta prestigiada unidade hoteleira. Para uma cura termal, ou apenas para descanso e convívio. Como lugar de passagem, onde apetece ficar por mais tempo. Sempre, como espaço de referência.


Mas se as instalações são óptimas, nota máxima também para a disponibilidade, a simpatia e a eficiência de todo o pessoal que nele trabalha.




Por tudo o que, desde a infância, o Hotel Palace das Termas de S. Pedro do Sul significa para mim, mas também pelos muitos amigos que ali fui fazendo ao longo dos anos e com quem tenho partilhado grandes momentos de descontracção; pelas famosas águas sulfurosas medicinais que, segundo a História, já D. Afonso Henriques procurava para alívio dos seus males, mas também pela beleza da paisagem envolvente que bem merece o nome de “Sintra da Beira”, agradeço à Vida poder continuar a passar ali uma parte das minhas férias de Verão. A primeira. Da segunda, contarei mais tarde. Se valer a pena, como esta valeu.



 Aurora Simões de Matos

6 comentários:

Sérgio Gomes disse...

Que bom saber que foi retemperante para si este período de férias. Aproveito para lhe deixar um enorme obrigado pela companhia, pela conversa sempre agradável e enriquecedora, bem como pela visita guiada ao Hotel Palace. Bem haja! Agora aguardamos mais novidades aqui. Beijos. Márcia e Sérgio André

Aurora Simões de Matos disse...

Grata também pela vossa companhia,simpatia e Amizade leal.Grata pela vossa juventude,partilhada em momentos de agradável descoberta mútua.Sabeis como gosto muito de vós e como quero muito que sejais felizes.
Boas férias,por onde quer que andeis.Tendes muito para viver e aprender.Que a Vida vos seja fácil.E que o vosso gesto tranquilo continue a ser a vossa imagem de marca.E que o vosso Amor nunca esmoreça,na busca dos projectos comuns que certamente levarão ao vosso crescimento.Que a cumplicidade e a tolerância sejam os vossos elos mais fortes.
Carinho para os dois,Márcia e Sérgio André.
Beijos.
Aurora

Anónimo disse...

Ora, aqui está como, de uma forma simples, a partir de uma vivência pessoal, se escreve e se divulga um local, uma terra, uma paisagem e um hotel que já hoje é um monumento pela sua arquitectura e pela sua história.
Obrigado Aurora por não esqueceres os lugares e as pessoas que te ajudaram a crescer.
Para elas e para nós, as tuas crónicas são rosas, palavras sentidas que se guardam no íntimo, no aconchego da saudade.
Fernando Luís

Aurora Simões de Matos disse...

Fernando Luis
Não me surpreende este teu comentário,sinal da presença assídua com que brindas a nossa Amizade.Também eu quero brindar.A uma das pessoas mais cordiais das minhas relações.Mas também a lugares quase míticos que continuam a mexer-me com as emoções.O Vouga,tão singularmente cantado por A.Correia de Oliveira,foi e será para sempre o irmão gémeo da minha doce Paiva e do Douro soberbo que partilho com Torga.São três jóias que guardo no cofre dos meus orgulhos e das minhas saudades.

Obrigada,Amigo,por tão bem compreenderes o que acabo de confessar ao mundo.Seja qual for a dimensão desse mundo.
Um abraço
Aurora

Anónimo disse...

Obrigada, minha irmã, por me fazeres recordar um período tão bom da minha infância. Tal como tu, recordo com muitas saudades as brincadeiras no recreio da velhinha escola onde, ainda no nosso tempo, começaram as escavações; os passeios de barco no nosso rio Vouga; as brincadeiras despreocupadas nos enormes corredores no Hotel Palácio; as quedas aparatosas no ringue do T.O.C. (Termas Hóquei Clube); os amigos que se faziam e que só veríamos no Verão do ano seguinte; etc. etc.
Que saudades, meu Deus!
Aquele abraço apertado da tua irmã
Carminda

Aurora Simões de Matos disse...

Mindinha,minha irmã

A parte da infãncia e adolescência que ambas passámos neste ambiente fantástico,foi um bonito presente que a Vida nos tinha reservado.
Apesar de arredadas daqueles ambientes,ali somos ainda recordadas. Sinal de que a nossa passagem deixou marcas.Motivo para sempre regressarmos.
Beijinhos
Aurora