sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

POEMA 



Ausência







Quando a morte vier travar-me os passos
e o meu corpo inerte for enfim
a inocência da terra adormecida,
a sombra do cipreste
guardará para sempre o meu segredo
e o silêncio não será mais grito,
nem o meu grito será mais silêncio.


Tudo será estranho,
porque a vida que vivi
foi toda silêncio e grito.

Mas a sombra do cipreste

guardará para sempre
a inocência da minha dimensão
e a efemeridade do meu destino.

Onde a inocência da terra adormecida

esconder para sempre o meu segredo,
a noite e a madrugada já não farão sentido,
e o silêncio da minha voz
será a distância sem angústia
entre a ausência do presente
e o mundo que já foi... e já não é...


Aurora Simões de Matos







6 comentários:

A. disse...

A morte não chega a sê-lo para as Poetisas que deixaram suas pegadas, bem profundas, nas lâminas mais duras do Xisto!... E entre cada lâmina se vai moldando o silêncio dos gritos que lhe vão na Alma!...

Cores de quartzo nunca visto,
Todo o brilho escondido no olhar,
Lágrimas de argila continuam a moldar,
O duro silêncio pelo destino previsto,
Laminado nos segredos por revelar,
Entre as raízes reveladas de xisto!...

Afinal, só os segredos morrem quando se revelam!... Por mais silenciosos que sejam os gritos!...

Votos de um Feliz 2013


Abraço

Aurora Simões de Matos disse...

Amigo A.

O meu carinho,pela surpresa deste bonito e bem estruturado comentário,que traduz uma interpretação correcta ,não apenas deste texto,como de toda a obra que tenho lançado publicamente,em prol da valorização das terras de xisto ,onde tenho meu berço.

Pela dignidade de uma região,onde sou das poucas vozes que se levantam ,num grito de afirmação e de presença.Para que não morram tradições paradigmáticas de uma ancestralidade que urge preservar.Usos e costumes,linguagens e espiritualidades que fazem parte das memórias que tentarei (tenho tentado)transmitir,incólumes.

Muito grata.Aceite o meu sorriso amigo.

Aurora

Evanir disse...

Pai, abençoe os que neste dia te agradeceram a vida,
pois os que sabem agradecer estão prontos para a alegria.
Pai, abençoa os apressados,
pois ainda precisam aprender a controlar o tempo.
Pai, abençoa os que levam a alegria por onde vão,
porque são emissários da luz, e o mundo precisa de luz.
Por fim, Pai, meu Pai, ensina-nos a crer na mensagem do seu Filho mais amado,
a amar ao nosso próximo como á nós mesmos.
A poucas horas do final de mais um ano
rendemos graças ao Pai por mais um ano vivido.
E oremos rogando a nosso Pai pelo novo ano que vai nascer
saúde paz amor união e acima de tudo fé no Criador.
Um feliz e abençoado Ano Novo.
Obrigada pelo carinho em 2012 que venha 2013
na presença de Deus.
Beijos no coração carinhos na alma,Evanir..

Cristina Cebola disse...

Não há morte que abafe o poema, nem grito que cale o silêncio da alma.

Belíssimo poema querida Aurora Simões de Matos.

Deixo beijinhos e votos de Feliz Ano Novo, com todo o meu carinho! ***

Aurora Simões de Matos disse...

Grata,Evanir,por palavras tão profundas de sentimento e de FÉ .Espero mais comentários do Brasil,onde este blog é muito seguido.

Aceite os meus votos de BOM ANO .Que 2013 traga muitas surpresas bonitas para si e para os que mais ama.
Que o Senhor acompanhe os seus caminhos.

O meu carinho...

Aurora

Aurora Simões de Matos disse...

Grata,querida Cristina Cebola,pela lealdade da sua presença e por todo o seu carinho.
Que o NOVO ANO a presenteie com a suavidade dos seus dias,por onde estenda uma VIDA recheada de emoções benfazejas.
Que Deus continue a abençoar o seu Lar...
Grande abraço
Aurora